Afinal baixam ou sobem?

por Paulo Neto | 2014.09.09 - 17:44

 

 

Andam no ar as perniciosas agitações de faz-de-contas que é tudo uma novidade, mas que não passa de mais uma estratégia política bem montada, no espaço e no tempo, para engodar a “malta”.

Escrevíamos aqui que o governo tem para cima de uma dúzia de milhares de milhões de euros depositados a prazo no Banco de Portugal e noutras entidades bancárias. Que esse dinheiro, hoje eufemisticamente apodado de “almofada” já serviu para o BES. Que para uns — poucos —  dormirem com a cabecinha acomodada, milhões dormem com ela na tábua rasa e dura. Nem travesseiro de folhelho, quanto mais de penas de pato…

Agora, messieurs Dupont & Dupond vêm fazer a rábula do sobe-não-sobe; não-é-possível-subir-mais…

Portas declara-se uma consciência crítica das vítimas dos impostos. Coelho continua a desempenhar o papel de carrasco para, dentro em breve, surgir como o salvador da pátria, o Pedro-milagreiro que, quase como o Robin dos Bosques, distribui dinheiro a rôdos pela estrada da desgraça.

Qual dinheiro? O extorquido, sacado, saqueado aos milhões de portugueses que andaram a “cevar” um Estado que nunca soube perder as gorduras próprias, antes pelo contrário, aumentando de peso diariamente à custa da pele-e-osso do contribuinte português.

Um governo de extorsão 47 meses por mandato; intransigente; cínico; cruel; insensato e insensível… Agora, despida a pele do lobo mau, vem lanudo, disfarçado sob pele de cordeiro bom, cordato, compreensivo, sensato, sensível, benévolo, preocupar-se com o bem-estar dos vitimados.

Que estranha forma esta de auscultar, acarinhar e diagnosticar o morto…