Força Ruas! Não podemos jogar para o empate, pá!

por Paulo Neto | 2014.05.13 - 11:47

O patusco Ruas (“ Patusco = que gosta de brincar; cómico; brincalhão”, isto para o caso de pensar pôr-me um processo em tribunal por ofensa à sua pessoa) já começou a distribuir as suas preciosas pedras nesta campanha eleitoral.

Lembramos que Ruas é o nº 2 da lista do PSD. Inicialmente 4º, veio ocupar o lugar recusado por João Jardim, uma vez que o 3º lugar é detido por uma mulher. Curioso seria perceber esta lógica partidária de ter indivíduos chegados ao fim de uma carreira autárquica, promovidos pelos bons anos de serviço, a ir servir a Europa decadente. A coisa até tem lógica… E se exportamos os jovens cheios de potencial mas sem emprego, porque não havemos de exportar os “cotas” reformados e de questionável mais-valia?

Ruas, em Lamego, deu o mote da sua campanha: “Faz falta na Europa quem saiba distinguir um carvalho de uma cerejeira!” É natural. E daí? Tentemos perceber o alcance da metáfora… talvez Ruas tivesse em mente que os valores mais ancestrais de uma ruralidade outrora pródiga estavam destruídos. Talvez Ruas quisesse dizer que aquilo que a terra nos dá na sua solidez perene é visto de modo despiciendo. Talvez Ruas quisesse dizer que o debate Europeu deve ser recentrado na essência dos salutares valores que originaram a União Europeia. Talvez Ruas vá explicar a botânica àquela “cambada” de iletrados. Talvez. Pena é precisar de tradutor nesta hermenêutica do texto…

E vai daí, o mote dado, auto-intitula-se o único candidato do interior de Portugal. Tal Viriato, Dom Afonso Henriques ou Dom Duarte (Santa Comba Dão também é interior?)… E porque não? Percebe-se o alcance que vem de rajada no cunhete seguinte adornada no celofene transparente do seu amado futebol; José Junqueiro “descido à IIª Liga”, numa alusão ao lugar a que Seguro –  muito preocupado com o interior – o relegou. É a tal “de vingança” (mesquinha) servida gelada. A cada um o seu estilo. Ruas falava com Portas presente. Talvez quisesse vincar o modo macho do beirão. Talvez, que nestas coisas da conjectura nunca se têm certezas…

E enfim, o âmago da sua política subiu-lhe à boca antes do remate final: “É por isso que quando um autarca do interior precisar de um interlocutor em Bruxelas, seja de que partido for, é a mim que terá de recorrer…”

Afinal Ruas, ex-presidente da ANM vai representar o lóbi dos autarcas do interior? Ser a correia de transmissão? Marcar uma audiência? Dar uma palavrinha a um comissário? Levar a pasta de Alexandre Vaz, Fernando Carneiro, Francisco Lopes ou outro qualquer que dele necessite? É legítimo tirarmos esta ilação? E que vão os autarcas do interior fazer a Bruxelas? Já não lhes basta o Terreiro do Paço? Tudo isto seria cómico se não fosse dramático, na ideia que enferma do “jeitinho” e que parece ser a ampla visão que do lugar Ruas lobriga…

O momento é difícil para a Aliança PSD/CDS e o PS “cavalga uma demagogia fácil”; o PS tem uma posição “cínica”; o PS “preocupa-se com as dores do doente depois de lhe partido a espinha”…

Claro que tem razão. De seguida só faltou o coro dos “pêpêdês” bem afinados, entoar loas ao Senhor dos Passos e um “miserere” à Senhora dos Remédios.

Vai a zaragata agarrada aos paus do pálio… e a procissão ainda na sacristia.