Europeias: Que partidos quais propostas? (II ª parte)

por Paulo Neto | 2014.05.12 - 06:19

Ontem apresentámos a lista dos 16 partidos/movimentos que concorrem, em Portugal, às eleições europeias de 25 deste mês. Tentaremos agora dar um brevíssimo apontamento sobre as linhas orientadoras das suas candidaturas, remetendo os nossos leitores, se a curiosidade lhe foi despertada, para um aprofundamento que poderá fazer no “site” de campanha de cada um. Apresentámos também os cabeça-de-lista, por molde a dar um nome a cada uma. Nomeadamente fora do eixo de governação, onde e em geral, os eleitores medianamente os conhecem. A ideia com que ficamos, e tentamos ser pessoas esclarecidas, é que uma grande percentagem dos eleitores não sabe o que vai votar nem em quem vai votar. Votará no partido a que pertence ou com quem simpatiza, por mero clubismo.

O barómetro de Maio da Aximage diz-nos que o PS terá a preferência de 36,2% dos inquiridos, o PSD 30,5%, a CDU 10,5%, o CDS/PP com 6,8% e o BE com 6,6%, situando-se a abstenção nos 43,4%, valor bastante mais baixo do que o previsto da ordem dos 60%,

Por seu turno, a Eurosondagem para a SIC/Expresso dá 37,5% ao PS; 32,5% à coligação PSD/CDS; a CDU com 10,9% e o BE com 5,5%. Os partidos sem representação no hemiciclo apresentam todos juntos 13,6% de intenções de voto

O PS apresenta um programa intitulado “Mudança” e tem 3 pontos-chave: Uma voz mais forte para Portugal; uma nova forma de estar na Europa e mais emprego/crescimento. Finanças públicas sustentáveis e ao serviço do desenvolvimento, uma estratégia para a energia, aposta no mar, valorização da agricultura e mais igualdade e transparência na democracia europeia.

A Nova Democracia (PND), centrará a sua campanha na Madeira, assume-se como euro-crítico e propõe um recuo da União Europeia para a Comunidade Europeia, para recusar as leis que não se adequem ao nosso país.

O Partido da Terra (MPT) é contra o Tratado Orçamental e preconiza o regresso ao Tratado de Roma, lutando por mais liberdade, justiça e solidariedade

O Movimento Alternativa Socialista (MAS) quer um referendo do euro.

O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) quer ver reconhecidos os direitos dos animais, da natureza, das gerações futuras de humanos e não humanos e uma profunda reforma do sistema financeiro.

O Partido Operário de Unidade Socialista (POUS) rejeita todas as instituições da EU contestando o Parlamento Europeu ao serviço do sistema capitalista. Quer repor salários, pensões e acabar com as privatizações.

O Partido Trabalhista Português (PTP) assenta a sua luta contra o desemprego e a morosidade da justiça portuguesa. Acrescenta a criminalização do acto público ruinoso.

O Livre (L) apresenta 67 medidas entre as quais a revogação do Tratado Orçamental, a proposta da resolução da dívida e a recuperação dos países do sul.

O Bloco de Esquerda (BE) tem urgência na reestruturação das dívidas das economias periféricas e quer ver reformado o sistema financeiro. Preconiza o resgate da democracia contra o federalismo burocrático, com uma nova Europa.

O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses / Movimento Reorganizativo do Proletariado (PCTP / MRPP) repudia a dívida pública, quer abandonar a moeda única europeia, propondo a reposição do escudo com igual valor do euro.

Portugal Pro Vida (PPV) visa revitalizar a solidariedade, subsidiariedade e humanismo entre as nações. Defende o aumento da natalidade numa Europa movida pelos valores humanos.

O Partido Democrático do Atlântico (PDA) tem a sede nos Açores. Situa-se entre os eurocépticos e os euroconformistas e assume compromissos para os Açores na agricultura e mar, por uma solidariedade com os seus pescadores e agricultores.

O Partido Nacional Renovador (PNR) quer a saída de Portugal da EU, entendendo o prejuízo de Portugal com a sua permanência.

A Coligação Democrática Unitária (CDU) inclui o PCP, Os Verdes e a Associação Intervenção Democrática. Preconiza o fim imediato do programa da troika e o reconhecimento da insustentabilidade da dívida pública portuguesa.

A Aliança Portugal (PPD/PSD – CDS/PP) apresenta um manifesto de 101 pontos divididos em 4 partes: reforma institucional da União Económica e Monetária; protecção dos mais carenciados; União Bancária efectiva e sistema único de supervisão e fundo europeu de garantia de depósitos.

O Partido Popular Monárquico (PPM) propõe a mutualização da dívida e uma pensão social europeia assim como um fundo de resgate para as famílias sobre-endividadas.

Caro leitor, se lhe aguçámos o apetite vá mais longe, informe-se e decida em sã consciência. Votar é fundamental e a expressão mais importante da cidadania. Lembre-se dos 40 anos de partido único…