Falar AQUILINO

por Paulo Neto | 2014.09.13 - 00:05

Quando o estimado leitor tiver à sua frente estas linhas, estará o seu autor no sul de França, a convite de dois municípios, o de Sernancelhe e o de Jacou-Montpellier, a falar AQUILINO para uma audiência francesa e de sernancelhenses.

A vida tem destas ironias…

Faria hoje 129, Aquilino Gomes Ribeiro, o nosso escritor.

Os municípios que integram as Terras do Demo, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva, detentores actuais da rotativa administração da FAR — Fundação Aquilino Ribeiro — o festejarão a seu modo. Porém, se temos conhecimento que Sernancelhe, sede do concelho onde Aquilino nasceu a 13 de Setembro de 1885, no Carregal, o comemorará condignamente, não tivemos conhecimento do que decerto se passará em Moimenta, sede do concelho onde se  situa Soutosa, terra-mãe da FAR, nem em Vila Nova de Paiva, a “velha Barrelas de um sino”, terra de António Malhadas e de Brízida, e sede da freguesia de Alhais onde, na Igreja Matriz da Nª Sª da Corredoura, Aquilino foi registado, a 17 de Novembro de 1885.

Em Viseu, Fernando Ruas honrou-o com a estátua na Rua Formosa. Almeida Henriques festeja-o semanalmente com a sua pífia coluna no CM, indevidamente intitulada “Terras do Demo”.

Uns divulgam, enaltecem, lêem, comentam, estudam Aquilino. Em Portugal e no estrangeiro. Outros, com política oportunidade, encontram nele palanque. Abençoado Aquilino que aos 129 anos — uma provecta idade — continua a ser catalizador de atenções, paixões, ódios, dinâmicas plurais e, mais que tudo, estuário onde a vitalidade de sua obra se espraia ancha… Mas tal, evidentemente, apenas para aqueles que o lêem, que são infelizmente muito menos do que aqueles que o citam…

O Rua Direita edita hoje uma newsletter a Aquilino consagrada e por 20 mil leitores difundida. Nela colaboraram com a genuína dedicação de sempre, Alberto Correia, Aquilino Machado (o neto), Eugénia Pereira (da Universidade de Aveiro), Pedro Morgado e o autor destas linhas. Pessoas para quem Aquilino está vivo. Todos os dias. Terças-feiras incluídas.

 

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Da esquerda para a direita: o neto Aquilino; a bisneta Rita; a nora, Senhora Dª Alexandra; pn – um devoto; Mariana, a única neta que Aquilino Ribeiro ainda  conheceu  (“O Livro de Marianinha” é-lhe dedicado, ed.póstuma, 1967), e a neta Mónica (mesmo nome do título do romance editado em 1939).