Exportação da caducidade ou da incomodidade?

por Paulo Neto | 2014.03.09 - 22:38

Ruas como nº 2 do PSD para a Europa é a evidência da vitalidade de um partido.

Passos Coelho reconheceu-lhe a fidelidade de uma década e fê-lo representante de Portugal numa confederação de estados decadente onde, como na Antiguidade Clássica, com mais espasmos e menos bacanais, se estertora de derradeiro gozo, enquanto os rufiões nazis levantam de novo a grimpa, por aí. Mas isso é tergiversar…

Os velhos servidores (não escrevi servidores velhos, pois a posposição do adjectivo ao nome tira-lhe a subjectividade) podem ser leais. Mas a lealdade, como a traição, é antiga como a Criação. A Europa há muito fez dos príncipes da polis lacaios do poder e à plebe, dando-lhe o pão com circo,  prometeu o oiro das sinecuras. Gaiolas brilhantes onde o voo morre nas grades e o canto se finda e cala.

Há uma aldeia do concelho de Viseu recordista em eurodeputados. Proporcionalmente ao número de habitantes,  Farminhão é a maior de Portugal pois, após Correia de Campos, em mandatos sucessivos, dá agora Ruas à Europa.

Mas a título de lembrança tudo deve ser dito e sem qualquer menoscabo desta nomeação… Passos Coelho convidou para nº 2 o “soba da Madeira”. Este recusou liminarmente, pois a sua Europa, a “pérola do Atlântico” tem melhor clima. Se aceitasse – e este “se” é condicional – o nosso ex-edil seguiria em 4º do ranking, por causa da quota para as mulheres (coisa pouco digna, diga-se…). Ainda assim seria sempre um grande lugar. Nuno Melo agradece. Agora, para ficar tudo definitivamente tratado entre pessoas de bem, Ruas já nem precisará de receber o subsídio de reintegração…

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/ex_autarcas_reformados_podem_pedir_subsidio_de_reintegracao.html