Europa: O triunfo dos porcos

por Paulo Neto | 2015.06.01 - 13:57

 

Alertado por NP para um artigo no “Le Monde” de ontem onde Tsipras afirma de título: “Se ainda não há acordo não é por intransigência nossa”, saiu este “edit”…

Nesse artigo está dado o mote da denúncia… da realidade que muitos não querem ver, outros são pagos para não ver, outros ainda para distorcer a verdade dos factos, na comunicação social, a mando dos patrões e no fundo, para não vislumbrarmos todos que na Europa de hoje não mandam os eleitos mas sim os nomeados para determinados cargos-chave pela meia dúzia de patrões disto tudo.

Não são teorias de esotéricas cabalas, são as realidades cada vez mais discerníveis por entre uma densa coluna de opaco fumo soprada pelos novos oligarcas mundiais.

Barroso foi recompensado com o Bilderberg, Constâncio com a vice-presidência do BCE, Moedas, banqueiro e político, foi nomeado comissário europeu, Arnaut para o conselho consultivo internacional da Goldman Sachs e etc.

E isto apenas a nível desta paróquia…

Na Grécia, um povo exausto decidiu dizer “não”, porque tinha 60% de desemprego jovem, 40% de quebra do poder de compra, perto de 30% de desempregados e o maior indicador de desigualdade social da Europa, com uma dívida pública correspondente a 180% do PIB. Disse-o nas urnas e pelo voto.

Tsipras e o seu governo, apesar da “infotox” profusamente difundida, após a reunião do Eurogrupo de 20 de Fevereiro, aceitou ajustar no essencial o veredicto do povo grego às imposições da zona euro. Mas a troika, o FMI, a CE, o BCE exigem um “à genoux” exemplar, ao filho rebelde. Apesar de provado que o regime de absoluta austeridade imposto pela troika e praticado a mando pelo anterior governo foi o principal responsável pelo desemprego e dívida galopante.

Tsipras não quer ceder nas reformas laborais, que diz obedecerem à legislação europeia, nem cortar nas aposentações/reformas, pois hoje, 44,5% dos reformados vive abaixo do limiar da pobreza e 23,1% em risco de pobreza e exclusão social, em resultado da assinatura do Memorando.

Segundo Tsipras esta intransigência europeia, ou dos nomeados por quem manda na Europa, visa encobrir a total falência das políticas institucionais por eles praticadas e arranjar para ela bodes expiatórios, como o próprio FMI reconheceu publicamente, acerca dos efeitos devastadores impostos.

Mas visa mais, visa a perda total da democracia dos Estados a fim de aceitarem “governos mansos” impostos pelas instituições europeias e a posterior privação do direito de voto dos cidadãos, acabando gradualmente por abolir a democracia na Europa, impondo um seu super-ministro das finanças para a zona Euro, com poderes incomensuráveis.

Os países que recusassem ceder a este poder extremo seriam severamente punidos com a obrigatoriedade da austeridade, a restrição aos movimentos de capitais, sanções disciplinares, multas e criação de uma moeda paralela ao euro.

Tsipras questiona: “Uma Europa da solidariedade, da igualdade e da democracia ou a da ruptura e da divisão?” E termina seu longo artigo recomendando a leitura de “Por quem os sinos dobram”, de E. Hemingway numa clara mensagem: Hoje dobram pela Grécia. Amanhã dobrarão por qual outro país? Portugal?