“Encobrir as notícias”?

por Paulo Neto | 2015.06.23 - 23:49

“A questão é que os jornais não são feitos para difundir, mas para encobrir as notícias.”

Umberto Eco, “Número Zero“, gradiva ed.

 

 

 

Talvez esta simples asserção explique o gáudio da maioria da imprensa portuguesa com a “denominada” cedência da Grécia… E com o clamoroso aplauso ao aumento de impostos… Vários quotidianos e plataformas deitaram hoje foguetes. Quem lhos meteu nas mãos?

E se a história for parcialmente ao contrário daquilo que a Comunicação Social está a veicular?

Como ficaria a Europa com a saída da Grécia?

Este conglomerado decadente de escravos a “fossar” para os cúpidos amos, inertes, inermes e anuentes, na sua apatia e porfiada autotrituração, há muito deixou de se questionar e há muito, maioritariamente, consome a opinião “prêt-à-porter” que lhe é subliminarmente instilada pelos “opinion makers” a granel.

Se a Grécia sair, se a Grécia geoestratégica se abrir a leste, se a Grécia provar que há alternativas para além do FMI, Eurostat, UE, Troika, et all…, o que acontecerá?

Sim, eu sei, são quatro “se”…

A Grécia deu um passo para salvar o rosto das sanguessugas. A autacracia da eurozona salva, neste braço-de-ferro do faz-de-conta-que-venci, quem, afinal, respirou fundo e de alívio? Só os EUA?

A Comunicação Social, sob as sábias batutas dos Karajans tenebrosos que actuam nos bastidores, difundirão o politicamente adequado e a factual verdade?

Quem se lembra ainda do Caso Watergate que em 1972 levou Richard Nixon a renunciar ao cargo de presidente dos EUA?

E do jornal Washington Post? E dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernestein?

Um tributo a JORNALISTAS…