Dobermans e caniches

por Paulo Neto | 2015.07.13 - 21:04

 

 

O calor quebra o ímpeto e as horas a escoarem-se açulam os ânimos. Terá talvez assim acontecido na reunião do Eurogrupo, apesar do AC decerto eficiente, do conforto adequado e da vasta rede de serviçais suspirando aos desejos dos seus amos…

Há quem afirme que Tsípras “foi crucificado”. Que os pit bulls, os rottweillers e até os caniches presentes o acossaram.

Que foi Tusk o presidente do parlamento a evitar seco e duro um Grecexit que a Alemanha e seus doberman tanto queria.

Até um freguês da eslovenia se terá atirado às canelas do primeiro-ministro grego como um pinscher…

Os alemães queriam a IIª versão do Tratado de Versalhes às avessas, embora a Grécia não tivesse declarado guerra a ninguém, não tivesse destruído meio mundo, nem tão pouco praticado um gigantesco genocídio…

A mensagem era clara: vocês são um estorvo ao nosso colonialismo canibal e devem ser irradicados assim como os partidos que se vos assemelhem, mesmo se inocentes dos desmandos que até aqui conduziram. A democracia não é manjar de pelintras

Sem ilusões! Há até que colocar 50 mil milhões num fundo luxemburguês do herr Schäuble, o demo-cristão do escândalo Schreiber de quem recebeu um excelente pé-de-meia…

Hollande, o gaulês, temendo talvez pela dívida ao hexágono, foi aparentemente decente. Também não era sem tempo. A cerviz sempre quebrada deve provocar muito incómodo…

Um dos mais acirrados, segundo Tsípras, foi o homónimo lusitano, PPC, o mesmo que se veio vangloriar de que o desbloqueamento do caso grego lhe era em parte devido…

… E ninguém despacha este tipo para a Guiné a cujo corrupto governo do invocado narcotráfico acaba de doar milhões de euros dos contribuintes portugueses? Sem bilhete de vinda?

A Grécia teve o seu sucesso: mostrou os podres e as fragilidades do sistema. E isso foi crucialmente intolerável…

 

Porque é que há dias em que o calor nos atormenta e o nojo, a vergonha nos agonia?