Dias de Apocalipse…

por Paulo Neto | 2014.02.08 - 00:01

IA ministra da Justiça, a cada dia que passa, vai encerrar novos tribunais. No dia seguinte já encerra menos um. No outro dia encerra mais dois. É um jogo. Seria divertido, se não fosse de tão mau gosto. Esta ministra foi talhada à imagem da pasta que tutela. Pouco ou nada se lhe conhece de bem feito. Mas está lá. Como a outra rapaziada de Passos Coelho. O Compadre Zacarias tem uma explicação cáustica: “Um medíocre nunca se rodeia de gente competente. Rodeia-se de medíocres como ele. Ou mais. O que já não é fácil.”

IIA EDP, aquela empresa que factura milhões de milhões e todos os meses nos saqueia alarvemente em consumos aleatórios, tem por vezes, mais do que as desejadas, bizarrias muito lesivas. Uma vez mais, como hoje dia 07, às 10H00, a electricidade falha. O trabalho perde-se. Os aparelhos descontrolam-se. Os alarmes tocam e etc. Com tanto dinheiro a entrar pelos cofres dentro para dividir com os bem cevados accionistas, não podiam comprar material eficaz e ter técnicos eficientes?

IIIEste país parece-se cada vez mais com um esgoto fétido. Uma amiga minha, competente académica e investigadora, escreve sobre a imensa tristeza que nela se instalou: “Deve ser isto a que chamam tristeza, a um muro caído no meio do campo, interrompida a ordem das pedras, sombras de um mito abandonado. Da sombra para a sombra é o caminho.” Este é o sentir de milhões de portugueses. “De sombra para sombra é o caminho.”

IVUm poiares-qualquer-coisa-ministro-de-uma-coisa-qualquer vem dizer entre bocejos – que são mais seguros que apupos —  “Compreendo a frustração, e, até às vezes, o facto de as pessoas se sentirem zangadas com o Governo, e, sobretudo no caso das pensões, compreendo que é particularmente difícil para as pessoas“.

E o Zacarias zanga-se com o dislate e manda-lhe meter a compreensão por um buraco qualquer acima.

Um país dilacerado com anormais a dizerem disparates para não estarem calados. Um inverno desconfortável, “um muro caído” no caminho e cada vez mais, perante o atrito, floresce a inércia e o ânimo definha.

Entretanto aquela coisa da “convergência das pensões”, mais um eufemismo para evitar a palavra CORTE, além de passar a idade de reforma dos 65 para os 66 anos, vai saquear já em Fevereiro os pensionistas, com base em 80% do salário auferido em 2005, em vez de 89% (menos 9%…!).

O poiares-qualquer-coisa-ministro-de-uma-coisa-qualquer quando fala de compreensão não fala de ROUBO, ou afinal quer dizer que o compreende. Ao roubo. Talvez assim nós entendamos que, afinal, a governança detesta tribunais, abomina a justiça e quanto à justiça social, desconhece-lhe completamente o significado.

Ainda temos que os suportar mais de um ano. Que o mesmo é dizer: vão ter tempo para deixar, no day after, um Portugal apocalíptico.


VAlmeida Henriques lá se estreia com a sua coluna no CM. Delgadinha de conteúdo, chama-se de genérico “Terras do Demo” – Aquilino revolta-se no panteão – e de título “País Real!”, assim mesmo, com exclamação e tudo. Como se o conhecesse. Tem lata, este autarca. O assessor tem que se esforçar nos textos… e sair da vacuidade do lugar-comum psitacista.

O pior de lhes gramarmos os actos é ouvi-los dissertar sobre sonhos e intenções. O melhor é arranjarmos mais um motivo para não comprarmos os jornais onde escrevem.

VIA Lusitânia, a tal Sociedade de Desenvolvimento Regional que parece ser muitíssimo mais secreta que a Opus Day e a Maçonaria juntas lá reuniu em Assembleia Geral Extraordinária, na AIRV. Porquê na AIRV? Mas o silêncio, pesado, abafado, asfixiante, tenebroso mantém-se. O que escondem? Afinal para onde foram os 25 ou 30 milhões, essa ninharia? Porque não contam à malta, uma vez que eram dinheiros públicos? A Justiça não gostaria de saber? A UE e o seu departamento de apoio aos Fundos Comunitários também não quer saber?

VIIDias de Apocalipse…