Depois da democracia a eurocracia! (*)

por Paulo Neto | 2015.06.28 - 12:53

 

“O assassino de massas encontra-se no seu quarto mobilado, a dar Gaines-burgers a um pastor alemão. As informações têm muitos cenários, não é, James? Tu próprio o afirmaste uma noite. Homens a disparar de viadutos e de águas-furtadas. Desligados da terra. Com o que presumo que querias dizer apolíticos em sentido lato. Assassínios que nos escapam. Que inutilidade!”

Os Nomes”, Don DeLillo, Relógio d’Água, 96

 

 

 

A mensagem está passada: o Eurogrupo não admite filhos rebeldes. Se um resultado democrático puser em causa a sua hegemónica linha política de subserviência ditada pela Alemanha, remove qualquer governo sufragado nas urnas. Se pensarmos que a democracia nasceu na Grécia é ironicamente triste pensarmos que morrerá no seu berço milenar… Mas mais, quando condenamos a compra e manipulação de votos em qualquer país, sul-americano, africano ou do leste, deveríamos ponderar no quão principiantes eles são nesta matéria. Pelo menos não representam a pantomina do “sou livre para votar”. A partir de hoje, acabaram os equívocos e, em Portugal, podemos pensar que os servis lacaios de Merkel deveriam ser entronizadas por mais 4 décadas e já não perdíamos tempo nem dinheiro em palhaçadas grotescas.

Cito Alexandra Azambuja:

“Por mais que pareça o fim do mundo como o conhecemos, no declínio do sonho europeu, na ilusão da bem-aventurança económica, no delírio do hiper-consumo, a História, como sempre, se encarregará de julgar os fracos (de carácter) e os outros.

E os aparentemente todo-poderosos, como sempre, serão apenas um dia uma referência do mal, em notas da wikipédia.”

Se o Fatum era também ateniense, o Parnaso não se situa em Bona, Berlim ou Bruxelas… Por aí, como em Roma, de Césares a Kaisers, todos foram trucidados…

 

 

(*) F. Figueiredo