Democracia de lambreta…

por Paulo Neto | 2014.01.16 - 00:04

O que são malfeitores? O dicionário diz: os que fazem mal, que se comprazem com o mal, malfazejos, nocivos, criminosos, bandidos, facínoras.

Em toda a parte – excepção feita do Paraíso, dizem – há malfeitores. Mas, dizia-me o compadre Zacarias… “Foram mal distribuídos. Portugal tem de mais para a sua área geográfica!”

Talvez o compadre Zacarias tenha razão. Anda por aí muita gente a fazer coisas mal feitas. Há-as que só revertem negativamente para o executante. Fez o mal pagou-o no corpo. Mas, nos casos mais flagrantes que por aí vemos, as malfeitorias vêm de um governo eleito democraticamente pelo voto dos portugueses.

Mas onde acaba a legitimidade de acção quando os actos são maus, mal feitos, nocivos à maioria de um povo e completamente antagónicos das promessas que levaram o eleitorado a sufragá-los?

Todo o Governo que mente ou age ao arrepio do que prometeu, das expectativas que gerou, criou e foram indutoras do voto, é um Governo assente na falácia, na arteirice, na vil mentira. Um Governo assim eleito não é legítimo, não é democrático porque deixou de respeitar as regras da verdade e da democracia. É um Governo de pantomineiros e de malfeitores. Este, numa sucessão de asneiras mirabolantes, de malfeitorias exercidas sobre quase todos os portugueses – há 4% que dizem estar com a “vidinha” melhor – veio agora, uma vez mais, roubar nos que tem mais à mão de semear: os funcionários públicos, os aposentados, etc. Aqueles que após uma vida inteira de descontos, qualquer dia, não têm dinheiro para pagar a prestação ou a renda de casa, as propinas dos filhos estudantes, os cuidados médicos primários, os medicamentos que ainda vão dando ao aumento de esperança de vida alguma qualidade no âmbito da saúde, o pão-nosso-de-cada-dia, o enterro, etc.

Mota Soares, o despachadinho da lambreta voltou a atacar.

Aliás, a ilegitimidade deles vem-lhes também do despudor, impunidade e imunidade com que atacam todos os dias.

Que democracia os sustenta?