De que vive a imprensa regional? (I)

por Paulo Neto | 2014.02.26 - 19:13

 

No mundo da comunicação social sempre houve espaço para os grandes e para os pequenos. Para a imprensa nacional, diária e semanária e para a imprensa regional quotidiana, semanal, quinzenal e mensal.

Hoje em dia o cenário é este:

A imprensa nacional tem, dividida por 4 ou 5 grandes grupos, bom e mau jornalismo. Não têm surgido novos títulos. Alguns têm desaparecido e/ou passado por diversas atribulações. Aderiram todos ao digital, numa passagem antecipada de um futuro próximo e reinventam-se em estratégias de indução/estímulo à venda em banca, oferecendo livros ou vendendo música e filmes a preço de saldo. Outros enveredaram pelo sensacionalismo, na mais que legítima percepção de que num país de “big brother” o público quer sangue, sexo, roubos e escândalos.

A imprensa regional teve até picos de grandeza extraordinária, ou “booms” com grupos que alargaram as suas áreas de negócios à comunicação social, comprando tudo o que bulia, como um sedeado no centro de Portugal, oriundo do domínio das obras públicas, que passado o tempo do regabofe e das vacas gordas vendeu quase tudo a eito e ao desbarato. Nalguns casos até ofereceu. Em Viseu teve uma rádio e um jornal.

Apesar das dificuldades sectoriais e também daquelas que em geral todo o país vive, no nosso distrito surgiu ultimamente uma apetência nova pela comunicação social. De repente, houve gente que se descobriu uma neo vocação para o métier e um desejo incontornável de informar. Em simultâneo, apareceram também muitos políticos da praça ansiosos por divulgar a sua imagem, sua razão de existir e a sua verdade ideológica.

Se este matrimónio é pernicioso pode ser jangada para muito náufrago.

(fim da Iª parte)