Crónica dos Maus Malandros

por Paulo Neto | 2014.08.15 - 12:42

Desta feita e perante os chumbos do Tribunal Constitucional o Governo não fez a pantomina habitual com a cegarrega do “acudam que estão a bater no ceguinho!”
Fita em que é useiro e vezeiro e na qual parece gostar de ser o protagonista trágico, pois mal uma zagalotada lhe chega à coriácea cerda logo aparece a tropear desaustinado e açulado pela matilha dos mercados, frente às “portas” dos batedores…
E não levou a palco o seu teatro porquê? Porque acabou de gastar 4,5 mil milhões de euros do erário para estancar a hemorragia do BES.
Por isso, e porque o assunto está sob holofotes, na sua abstrusidade, ainda percebeu que a paródia soaria a Crónica dos Maus Malandros.
Na cobardia que o caracteriza, sempre no cerrado ataque aos mais desfavorecidos, fracos e indefesos, a trupe persiste e porfia na espoliação dos reformados e dos funcionários públicos. Para ter dinheiro supridor das vigarices e fraudes dos banqueiros…
Ao imposto de solidariedade – chamado eufemisticamente de contributo – sucedeu a contribuição de sustentabilidade. Nomes cínicos, de quem goza com o pagode e dele se ri na alarvidade de um gáudio cruel, indiferente e malévolo.
Coelho, a banhos no Algarve, nem interrompeu o mergulho do crepúsculo. Mandou às 20H15 um “sapatilha” fazer vénias entremeadas de manguitos sussurrantes aos microfones da comunicação social.
Entretanto já deve estar a matutar na próxima “contribuição” a extorquir o último sangue, de preferência também a começar por um “S”, como…
Contribuição de Servidão;
Contribuição de Subtracção;
Contribuição de Sandice…

Nota: Para o que me pagam fico só por 3 sugestões.