As gruas políticas, ou os inçadoiros de oportunistas

por Paulo Neto | 2015.11.02 - 12:16

 

 

Com a febre do poder político andam para aí partidos a arrebanhar militantes pelas concelhias, assim a modos que o Popeye a comer espinafres ou o Astérix a beber a poção mágica do druida Panoramix.

A razão é simples: concelhias com votos são concelhias fortes, musculadas e levam o “chefe” em ombros ou sob o pálio, conforme as circunstâncias, no momento da votação.

Os arrebanhados são de dois tipos: aqueles que há muito estavam inscritos mas deixaram de pagar as quotas e os novos, aliciados para a poluta militância a troco de expectativas futuras e retornos rendosos.

Longe irá o tempo em que se era militante de um partido por convicção e, deixando de parte as honrosas excepções, hoje é-se, em geral, por mero oportunismo.

Dantes, os militantes construíam um partido. Hoje, cevam-se no partido. Porquê? Porque nada resiste à avassaladora, cínica e mal-intencionada catadupa de “parvenus” tombados do céu em paraquedas, malta que só sabe viver à custa do bem-bom, para tornar os partidos em seus feudos pessoais, onde têm tanto mais poder quanto o número de concelhias controladas e o número de militantes inscritos.

Até arranjam quem lhes pague as quotas em atraso e as quotas novas a troco do nauseabundo voto ou da promessa do ”empregozinho” da nora ou do afilhado desempregados…

Assim, do local para o central, se cria uma lógica de expansão política assente na vileza primicial da intenção e do cinismo abjecto dos objectivos a atingir.

Depois, dos candidatos assim consolidados a pedra e cal pela “porca compra” não se podem esperar políticos de missão, ou puros zeladores da res publica. Serão sempre meros “porqueiros” oriundos dos chiqueiros de onde saíram… por mais gravatas azuis celestes que pendurem nos colarinhos (ainda) brancos. Gentinha dos jeitinhos, gentinha jeitosinha, mequetrefes serventuários dos seus interesses e dos interesses do operador da grua que os içou ao cerúleo paraíso…