As “consequências” de Borges…

por Paulo Neto | 2015.10.06 - 18:55

 

Analisando os resultados eleitorais do distrito de Viseu, é curioso constatar que a coligação PàF ganhou em todos os concelhos, sem excepção. E isto, havendo uma dezena de câmaras socialistas em vinte e quatro. Interessante também é ver que em Vila Nova de Paiva, autarquia PS onde pontifica o também presidente da CIM Viseu Dão Lafões, a coligação obteve a mais expressiva vitória do distrito, com 64,07% e o partido da rosa conseguiu a mais redundante derrota, com 21,9%. Será um prenúncio do começo da queda deste edil?

 

António Borges, analisando esta “carnificina” eleitoral, numa semântica trauliteira que terá aprendido (ou não) dos experts Coelho e Portas, acha que a sua desmesurada derrota foi uma vitória relativa. Atente-se neste saboroso naco de  prosa…

 

1. Os resultados do PS no distrito de Viseu  seguem em linha com o resultado nacional do Partido nas disputas realizadas nos últimos anos quando ganha ou quando perde. Voltou a acontecer

2. Em Resende, não ganhando, a votação de cerca de 42% do PS é a melhor do distrito (menos 3%que o PàF).

3. O facto mais saliente desta noite está na perda de maioria para governar da coligação de Direita, o que não pode deixar de ter consequências!

Trata-se de uma clara rejeição das políticas da governação dos últimos anos. Tem de haver consequências!

4. Os Socialistas com mais responsabilidade não devem repetir acontecimentos recentes! É tempo, mais do que nunca, de uma grande concertação interna, virada sobretudo para o interesse nacional.

A fatalidade com os resultados do passado, “voltou a acontecer!”; o excelente resultado de Resende, que apesar de ter perdido ganhou aos outros concelhos com autarcas do PS (isto é solidariedade!); o fático, o óbvio, o redundante, as exclamações repetidas ao fim das enfáticas frases vazias; a rejeição do PàF vencedor; o aviso velado a Costa com mais uma bordoada paternalista de ponto de exclamação; o chavão do “interesse nacional”…

Poupe-nos aos seus dislates, senhor comendador-deputado…! Não queira ser anedótico nem parecer tão básico em matéria política. Não pretenda também fazer passar por parvos os seus sufragistas…

Foi eleito deputado, que era quanto pretendia. Agora vá lá para Lisboa representar a Nação e tratar “do interesse nacional”. O senhor comendador-deputado quase se assemelha a um símbolo do vazio, do oco, de presunção e da pedante arrogância… defeitos que decerto não tem.

Assuma as suas azelhices políticas, os seus erros, as suas derrotas, as suas vitórias, as suas muitas virtudes e os seus poucos defeitos.

Tudo de uma “vezada”, devendo depois “vazar”!