António Borges… o desaparecido em combate

por Paulo Neto | 2015.03.13 - 12:44

 

António Borges, o ex-autarca PS do concelho de Resende e actual líder da Federação distrital do PS, anda sumido.

Ler hoje com atenção a moção que apresentou como fundamento para a sua candidatura a este lugar é digerir um documento de um quarteirão de páginas com algumas dezenas de declarações de intenção inconsequentes, porque impraticadas, que não passaram, até ao presente, de um escrito sob o vago e pomposo título de “Maior Proximidade, Mais Coesão“. E se dúvidas houver podemos escalpelizar essas medidas cirurgicamente…

Não conseguimos vislumbrar com quem é, afinal a proximidade, a não ser com o derrotado candidato a secretário-geral, António José Seguro e seus apoiantes, como Miguel Ginestal, Marisabel Moutela, Lúcia Silva… e, quanto à coesão, decerto quereria referir o seu oposto, desagregação, pois hoje, no PS do distrito e no momento da elaboração das listas para candidatos a deputados, depois de aprovadas umas “directas” das quais hoje Borges nem quer ouvir falar, começa a perceber-se a essência e substância da sua candidatura/eleição ao lugar da Federação: tratar da “vidinha”, da dele e da dos seus apoiantes.

Ou seja, e à laia de balanço: depois de um nome imposto por Lisboa para encabeçar a lista de candidatos a deputados, surgirá, naturalmente o nome de António Borges.

Em terceiro o de uma mulher, obrigatoriamente e pelas quotas, lugar até aqui ocupado por Elza Pais apoiada pela concelhia de Mangualde – o que não é certo repetir-se – deixando assim o lugar em aberto para uma candidata, talvez de Lamego, Marisabel Moutela.

Em quarto lugar surgirá Ginestal, vice-presidente da Federação, num notável, oportuno e desesperado “golpe de asa”, o compadre e mais acirrado defensor de Seguro, o qual desde que Costa foi eleito secretário-geral ficou na natural contingência de exercer o lugar de professor no Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul, pelo menos enquanto não vier o tão falado e cobiçado – disse-se – lugarzinho no Instituto Jean Monet, em Lisboa, por indicação dos deputados europeus, que recordamos, ainda foram escolhidos por Seguro (isto parece um bocado ziguezagueante, mas a luta pela sobrevivência política é mesmo assim…). E já vão quatro.

Mangualde nunca, em circunstância alguma, com o peso da sua concelhia, pode deixar de ter um nome na lista. Quem será? E aceita pacificamente e com o seu peso o irrelevante quinto lugar?

Depois vem, ainda, a concelhia de Santa Comba Dão com o seu presidente, João Tomás.

E onde fica Acácio Pinto, director distrital da campanha de Costa, membro da Comissão Política Nacional, o actual deputado com maior visibilidade e mais assertividade interventiva?

E José Junqueiro?

E a camada mais jovem, a da previsível renovação do partido? Serviram apenas de mero escadote?

 

O PS, num distrito historicamente “laranja”, poderá eleger com algum optimismo 4 deputados  –  recordamos que os actuais três são: José Junqueiro, Acácio Pinto e Elza Pais.

Será que doravante e em total contra-ciclo vai persistir a linha passadista de Seguro? E se assim for, quais serão as desvantagens daí advenientes? Qual o preço político a pagar de uma previsível fulanização dos lugares? E António Costa que diz a esta “salsada”? Chuta para canto?

 

Borges criou expectativas e fundamentado nelas, para as formalizar e executar, foi candidato e eleito presidente da Federação. Até ao presente e mais de sete meses escoados, nada fez que as justificasse ou, sequer, que algo de palpável, de diferente e de mudança decorresse da sua moção de candidatura, até hoje um documento perfeitamente inócuo.

 

Lamentável mesmo é, conjecturalmente, poder-se pensar que a única medida de Borges consiste em garantir o seu futuro político e do seu vice Ginestal… E isso seria o descrédito total do Partido Socialista no distrito de Viseu.