Almeida Henriques repartido entre a “imoralidade” e o “orgulho”

por Paulo Neto | 2014.10.24 - 00:01

 

 

Já o escrevi e volto a escrevê-lo: Estou profundamente solidário com Almeida Henriques no seu clamor irado contra um Governo que exige às autarquias pagamento de IVA sobre serviços sociais prestados, tais como transportes escolares, refeições de alunos, etc.

Um Governo que virou costas à sua função social, que a chutou para o poder local e que agora, pasme-se, ainda vai “gadanhar” com o usurário cutelo sobre a tesouraria autárquica… não é feito de gente boa.

Caro Almeida Henriques, senhor presidente, é evidente que tal atitude é uma “imoralidade”. E ainda bem que a denuncia. Ainda bem que nos diz que a “sua” autarquia gasta um milhão de euros em transporte de alunos por ano, que o Estado não cobre 25% desses custos e agora ainda vai sacar vinte e tal por cento. É um desaforo. Uma sacanice. Uma ordinarice…

Parabéns pela sua atitude lúcida, sensata e corajosa.

Pena é ficar tal postura “adredemente obnubilada” (como “pronosticava” dantes um ex-edil seu vizinho) pelo facto do ora autarca ser há 14 meses atrás “orgulhosamente membro deste Governo” (palavras suas).

Afinal em que ficamos? No orgulho ou na imoralidade? A coerência tanto fica bem ao pequeno-almoço como ao chá das 5…

Ainda assim, ter tomado consciência do problema e dele fazer pública denúncia, só o enaltece. Vale mais tarde que nunca! Os meus parabéns solidários.

 

recession

 

A Europa enfrenta uma IIIª recessão e Portugal está em deflação. Foi hoje anunciado em Bruxelas.

Recessão é retracção económica, ou seja, a actividade económica contrai-se, sucede-lhe uma queda da produção, um aumento de desemprego, quebra do poder de compra, diminuição da taxa de lucro, aumento do número de falências, queda do investimento. Quando o PIB cai dois trimestres a economia entra em recessão.

Deflação é antónima de inflação e traduz-se numa queda dos preços dos bens de consumo, por falta de poder de compra. A deflação aumenta o valor real do dinheiro porque passamos a comprar mais com a mesma quantidade de dinheiro. Uma das consequências é a diminuição do ritmo de produção e o crescimento do desemprego. Outra é o aumento dos juros que torna o crédito inacessível.

Hoje, em Bruxelas, os sindicatos europeus avisaram as economias europeias. Mas há quem não acredite ou duvide e continue a percorrer o seu percurso de cego, surdo e mudo. Como o ex-presidente da EU, monsieur Barroso ou o mister Coelho, de Belém. Pelo contrário, vamos de vento-em-popa, navegando à bolina, dizem eles…

Uma Europa que, de tão decadente, nada aprende com os seus erros. Ou então, esses erros são provocados e geram biliões de benefícios para meia dúzia em detrimento de malefícios para milhões… E a festa continua.