Almeida Henriques e o Dia das Mentiras. Ou das anedotas?

por Paulo Neto | 2016.04.02 - 11:45

Razão tem o nosso amigo Miguel Fernandes: as declarações de Almeida Henriques são uma rábula do 1º de Abril, o dia das mentiras.

A não ser assim, podem ser apenas uma patética exibição de uma grave patologia. A megalomania deslumbrada de quem não se enxerga, descolou da realidade factual e vive num mundo fechado, virtual, onde o eco dos cortesãos, fiéis aios e bobos de acentuada curvatura dorsal, ricocheteia nas paredes espelhadas do vazio.

Almeida Henriques a pouco mais de um ano de eleições, crente profundo de que uma mentira repetida é uma verdade adquirida, praticante da mediática propagação de ventosidades inconsequentes, aproveita e bem a imprensa que sabe apreciar os “estimáveis clientes”, para anunciar que nos dois últimos anos do seu mandato “se fez mais em Viseu que nos últimos quarenta”.

Tem o direito de o dizer. Aliás, é exactamente o tipo de atoarda que nos habituámos a ouvir de sua boca e a qual ele se habituou, pertença que é da geração política dos que nada fazendo investem todas as suas energias na propagação, onírica, diga-se, daquilo que gostariam de ter feito mas não alcançaram fazer, praticante exaustivo da política de Bolshoi, aquela que é fita em bicos de pés, com voltigeantes saltos e coreográficas cambalhotas, esteticamente lindas de ver, mas… feitas no ar, ilusórias, efémeras, inconsequentes e ocas.

Almeida Henriques personifica o “político do vazio”. O significante sem significado. A mensagem engasgada, duplamente falhada. O náufrago da inércia e o cultivador do atrito. Atrito que o mantém no grau zero do agir. Inércia que é a incapacidade de traçar e pôr em prática uma linha de ação para Viseu — para lá das ensurdecedoras patacoadas proferidas pelas cornetas dos trombeteiros da charanga.

Com esta insensata declaração veio apoucar e acusar Fernando Ruas e Engrácia Carrilho — entre outros — de nada terem feito que se visse. O segundo já não está entre nós e não merecia o opróbrio da mensagem. O primeiro, rijo como um pêro, ficou mudo e, em silêncio, talvez receoso, consente tacitamente na avaliação assim feita das suas mais que duas décadas de mandato, recebendo na face, como estrondosa bofetada, o labéu de incompetente.

Esta arrogância — se não for fruto do dia 1 de Abril e uma partida de mau gosto — colhe muito nos zeros socialistas da oposição camarária e no “desaparecido em combate II” do CDS/PP, o ex-aguerrido Hélder Amaral, ainda assim, com muito denodado esforço, representada por Vítor Duarte.

Este imenso vazio vem-nos também dizer, que qualquer futura candidatura oriunda desses lados rosados e azulinhos, não passará de uma perfeita anedota, sem graça, para cumprir agenda, fazer que faz mas não faz e que qualquer viseense que se preze, quando esses valorosos gladiadores da fuga e praticantes do nada lhes vierem pedir o voto — porfiada procissão de 4 em 4 anos saída do bolor da sacristia ao adro esconso da igreja da paróquia — só deverão ter uma resposta possível: um magnânimo e monumental manguito tipo Bordalo Pinheiro, mesmo nas fuças dos desavergonhados mendicantes.

E siga a roda que o melhor está para vir…