A manipulação dos media

por Paulo Neto | 2016.08.15 - 13:54

 

 

Um estudo publicado no nº 7 da revista “XXI”, da Fundação Francisco M. dos Santos, que saudamos pela sua qualidade gráfica e pelo elenco de colaboradores que a integram, apresenta-nos um excelente artigo de Carla Baptista, “Jornalistas em transe – jornalismo em transição” que contém o mapa da liberdade de imprensa em 199 países, clarificando: “Os dados analisados dizem respeito à liberdade que os media têm de imprimir, emitir ou gerir sítios noticiosos na internet; ao ambiente legal e regulatório dos media; ao grau de controlo político sobre os conteúdos; à disponibilidade de diversas fontes de opinião; à pressão económica sobre as empresas de media; à violência sobre os jornalistas.” (…) “A partir da conjugação desses dados, os países são agrupados em Livres, Parcialmente Livres e Sem Liberdade.”

Os dados globais dão-nos 40% de Livres, 36% de Parcialmente Livres e 24% Sem Liberdade.

Por seu turno, neste contexto e entre continentes, a Europa tem 86% de percentagem de população Livre, a América tem 71%, a Ásia Pacífico 38%, a África Subsariana 12%, o Médio Oriente e África do Norte 5% e a Eurásia 0%.

A análise de 2015 dá-nos como países menos livres: Angola, Bangladesh, Burundi, El Salvador, Honduras, Hungria, Macedónia, Maldivas, Moldávia, Montenegro, Marrocos, Ruanda, Tadjiquistão, Turquia, Estados Unidos – estranhamente… – e Iémen.

O estudo foi feito pela Freedom House, em 2015.

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Os 60% de países onde essa liberdade não existe ou só parcialmente existe, são uma derrota mundial, no século XXI, da liberdade dos povos e no acesso a uma informação não manipulada/controlada pelas forças políticas regentes.

Se acrescentarmos a isso que um país sem liberdade dos media é um pais sem liberdade de expressão, com uma opinião controlada e informação censurada/manipulada, sendo este um efeito fatal, a causa só pode ser a da ocultação – total ou parcial – da realidade política vigente e em exercício despótico e nepotista.

Os políticos têm um medo visceral dos media livres. Por isso, não há politiqueiro que não sonhe controlá-los para lhes impor a sua verdade factual, os seus credos, as suas ideologias. No fundo, o seu auto-protagonismo, a virtualidade correspondente a uma onírica fantasia que a acefalia e a iliteracia consomem acriticamente, correspondente a um mero jogo de ilusionismo do real.

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Por isso, não há “idiota a termo” que não aposte no crescente controlo dos media, nacionais e regionais (até os angolanos, exímios na matéria, para aí vieram…!). Eles têm a sua verdade, eles têm as suas intenções, eles têm os seus intentos para atingir e cumprir. E passam, em geral, por aparentar, numa pseudo liberdade edulcorada o seu subliminar discurso e o dos seus agentes ou cúmplices, na promoção, divulgação e propaganda dos objectivos pouco inocentes, nada cândidos e muito pérfidos que hipocritamente ocultam na manga engomada da alva camisa.

Eles não estão só em Angola, El Salvador, Turquia ou Iémen. Estão num jornal, numa rádio ou numa televisão perto de si.

Reflictamos numa frase cada vez mais actual de Nietzsche (“Para Além do Bem e do Mal”): “A presente moral da Europa é uma moral de animais de rebanho.”