A Fundação Aquilino Ribeiro, Soutosa

por Paulo Neto | 2014.03.21 - 11:22

 

“Fiz um breve e sossegado regresso a casa, na passada quinta-feira, graças à companhia simpática dos dois jovens da Câmara de Sernancelhe que me transportaram, gente de formação bem alicerçada, com os quais vim sempre em amena e agradável conversa. A reunião com os presidentes das Câmaras e com o Governador Civil correu bem. (…) Vamos lá a ver o que nos trará a próxima reunião com os últimos abencerragens da FAR. Para a abertura destas expectativas favoráveis, contribuiu o Paulo Neto e o nosso presidente de Sernancelhe, que também foi inexcedível e aos quais nunca saberei dizer quanto é amplo o meu reconhecimento.” (*)

(Engº Aquilino Ribeiro Machado para o subscritor deste artigo)

 

Este mail foi recebido a 16 de Março de 2010 após uma reunião mantida no Governo Civil de Viseu, a 11 de Março desse ano, com o então governador Miguel Ginestal, os presidentes das câmaras de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, Sernancelhe, José Mário Cardoso acompanhado do seu vice, Carlos Silva e Vila Nova de Paiva, José Morgado.

O senhor engº Aquilino Ribeiro Machado chegara nessa manhã de comboio a Mangualde, vindo de Lisboa, tendo-o ido eu buscar. Almoçámos no restaurante “O Cortiço” e às 15H00 dirigimo-nos ao edifício do GC onde tínhamos reunião agendada com os supra referidos para nos debruçarmos sobre os Estatutos da FAR, Fundação Aquilino Ribeiro.

Hoje, passado o tempo que permite fazer a análise dos factos, sem inconfidenciar nada que Cronos e as suas vicissitudes não tivessem já clarificado, aqui fica para memória futura e como incentivo à acção.

Depois de uma conversa entre o sr. engº Aquilino e eu, no entendimento de que a FAR tal como estava e após a morte do seu irmão, o juiz Aníbal Aquilino Fritz Tiedmann Ribeiro, se iria a breve trecho desencontrar eventualmente dos seus primiciais intentos e acabaria por ser, em derradeira instância, entregue à curadoria do Museu Grão Vasco, foi de entendimento estudar a possível alteração dos seus Estatutos gizados por seu irmão e publicados em DR a 02 de Julho de 1988, com alteração a 11 de Maio de 2007, sendo presidente a viúva deste, dra. Maria Josefa de Campos.

No seguimento desta conclusão competiu-me dar os primeiros passos. Assim, depois de algumas conversas telefónicas com Miguel Ginestal e os autarcas referidos, marcou-se a citada reunião e chegou-se a consenso para propor uma alteração estatutária que deixasse os destinos da FAR nas mãos das três autarquias, Sernancelhe onde Aquilino nasceu; Vila Nova de Paiva onde foi baptizado e Moimenta da Beira onde viveu largos períodos de sua vida, na lógica também deste ser o território de uma “geografia sentimental” do Escritor e constitutivo das Terras do Demo, frontispício do seu romance de 1918 que conferiu título ao espaço físico dos três concelhos citados.

Deste modo, por ciclos de rotatividade de 2 anos, iniciar-se-ia em 2011 a direcção com Moimenta da Beira, terminada em Setembro último, passaria de seguida a Sernancelhe e fecharia com Vila Nova de Paiva o primeiro ciclo.

Esta solução afigurou-se a mais lógica, tendo o consenso e consequente empenhamento dos 3 autarcas.

Neste momento e depois de várias actividades implementadas, creio ser imperioso determinar um fio condutor encadeador destes ciclos, que lhes desse cabal sequência e lógica prossecução, no respeito conjunto e integral pela visão de todos os intervenientes e de modo a tornar a FAR um polo de convergência e coesão das várias iniciativas a desenvolver naquele que foi um espaço determinante na vida do Escritor, congregando ali a opinião/presença dos seus descendentes e dos estudiosos e investigadores aquilinianos, concedendo-lhe a máxima vitalidade, visibilidade e acção profícua à sua afirmação e envolvimento, na certeza de que este passo – a juntar aos já dados – proporcionaria uma maior divulgação da vida e obra de Aquilino, ajustando o precioso continente ao seu conteúdo, incentivando a maior diversidade de eventos e fazendo de Soutosa um topos aquiliniano obrigatório.

 

(*) O sr. engº Aquilino deu-me autorização para divulgar, se assim o entendesse e após o seu falecimento, a correspondência trocada entre nós. Não é meu intuito fazê-lo. Salvaguardo este parágrafo de um desses mails e alguma possível, clarificadora e pontual informação acerca da vida e obra de seu Pai, que possa contribuir para desvanecer alguma dúvida de estudo.