A 1ª água da cultura?

por Paulo Neto | 2014.03.23 - 14:45

 

“Viseu é de 1ª água” –» está escrito em dezenas de outdoors pagos a preço de ouro por toda a nossa cidade.

Independentemente de acharmos esta campanha publicitária – que se pretende profícua e esclarecedora – ambígua e suficientemente equívoca para querer significar muita coisa (há gente que ainda não sabe aqui qual o valor metafórico da mensagem), achamos que não faz jus à cidade até e porque Viseu merecia melhor e esta comparação infeliz, de um concelho que tem a 5ª água do distrito em qualidade, é um total fracasso.sf2

O meu “amigo” S. Francisco, da muralha da Porta dos Cavaleiros sita à Rua do Adro, também consome água, mesmo sendo de pedra e não tendo sede. Só porcaria.

A foto de hoje não permite ver se é da tal água. Farei a próxima com uma lente 70-300 para elucidação autárquica.

O respeito pelo Património cultural viseense também se evidencia ali. Este caso, nos contornos que já possui, torna-se além de uma anedota, uma teimosia bizarra da autarquia, além da possível imagem da incúria e negligência que passa para o exterior.

Um turista que chegue a Viseu e que veja tal imundície o que pensará?

sf1

Se for um turista esclarecido à procura do lugar onde decorreu o “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, que congeminará? 

Que o pobre do S. Francisco, decepado da mão esquerda, com o nicho feito pombal, todo “borrado” de cima a baixo, com um esqueleto de pomba sobre a cabeça de animal que lhe jaz aos pés, um lampião arrombado e fundido ao lado (ainda bem, que assim não se vê de noite!) e uma garrafa de litro e meio ao canto, é o ex-libris da cultura camarária?

Com tanta água nos cartazes não arranjarão a suficiente para lavar o orago?

Que Deus lhes perdoe, que o S. Francisco só o fará com ordens vindas de cima…

Voltamos para a semana.