Há muito que a situação se repete. Uma espécie de imenso êxodo de marroquinos, em fuga do seu país para alcançarem a Europa e, nela, condições de trabalho e de vida dignas.
E porém, esta monarquia constitucional com a toda poderosa dinastia alauita regente que governa desde o século XVII, num país que detém a sexta maior economia de África, com um turismo que representa grande parte do seu PIB (turismo e serviços 54%), com a maior reserva mundial de fosfato para fertilizantes, com 23% do seu PIB oriundo dos têxteis, da electrónica e do sector automóvel… não consegue criar condições de vida para uma larga franja da sua população de aproximadamente 34 milhões de habitantes, não obstante o sibarítico fausto (passe a tautologia) em que vivem os governantes e as classes privilegiadas do reino.
O que agora aconteceu em Ceuta, cidade autónoma de Espanha, situada em África, no território de Marrocos, é a evidência dessa miséria de um povo, mas é mais, é também a clara demonstração da forma como a geopolítica se manipula, instrumentaliza e opera para alcançar os suas mais vis e pérfidos objectivos.
A partir daqui a extrema direita mundial, dos EUA a Israel, à Argentina, à Itália… a mesma extrema direita que não perdoa ao primeiro-ministro espanhol as suas posições contra a política de Trump e de Netanyahu, fez da situação seu bombo de festa para dela tirar os dividendos xenófobos de que se alimenta.
Por seu turno, as autoridades marroquinas, impávidas, nada fizeram para obviar a este êxodo. Antes o terão facilitado. Há vídeos que mostram camiões a descarregar milhares de marroquinos, de repente concentrados no mesmo local e com a mesma intenção de fuga, perante a indiferença das forças militares de Marrocos.
Na Nova Ordem Mundial, esta será uma eficaz forma de guerrear sem armas, explorando ainda mais a miséria, criando falsas expectativas a quem nada tem, espalhando o ódio e a raiva por aqueles que, manipulados, se sentem ameaçados por esta vaga de desvalidos e de marginalizados, que a África na sua mor riqueza de alguns, expulsa para desassossego de muitos.
(Nota- foto de Ceuta com DR)