O leão

Talvez encurtando o tempo seguido de permanência no TO, evitando o combate até à exaustão; talvez criando condições para que os operacionais regressem aos seus quartéis, após a rendição.

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  • 18:36 | Segunda-feira, 01 de Junho de 2026
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O secretário de Estado da Protecção Civil é diferente dos colegas. Incontido, diz o que lhe vai na ideia. Pouco habituado às artes da governação, figura apagada e sem chama, deu nas vistas, pelos piores motivos, chamando a si as atenções da comunicação social. Num gesto bravo e destemido, virou censor. O Inquisidor-mor do reino da Brutalândia chegou-se às tábuas. Pesumindo-se dono do que não é seu, debitou excrescências e lavrou sentenças. Umas e outras sem jeito, nem ponta por onde se lhe possa pegar.

Ameaçou os operacionais que vierem a declarações sobre dificuldades no combate aos incêndios. “Nenhum operacional ficará impune.” Espanta-me que ninguém, entre tantos conselheiros, lhe tenha segredado ao ouvido que, por mais que queira, não tem poder disciplinar sobre os bombeiros. E logo ele, que foi presidente da Federação de Bombeiros, e nessa qualidade, por intenções bem menos insultuosas, ouvi, em congressos convenientes, zurzir forte e feio em tudo o que fosse “Estado socialista“… Distantes vão os tempos em que pensava associativismo, derramando nele as virtudes que agora lhe subtrai.

A palavra de um governante deve merecer respeito, mesmo que com ela se não concorde. Porém, não é com leviandades destas que se vai lá. Palavras insensatas desprestigiam os seus autores e colam ao governo uma imagem desmaiada.

Não contente com o disparate, atirou-se a uma banalidade. Também não quer voltar a ver imagens, que podem vender muito do ponto de vista mediático de bombeiros a dormirem à sombra de um carro de bombeiros.
Passando por cima do termo “vender” que, no contexto, é grosseiro, e também repudiando essas imagens, não é de um governante ficar-se pelo lamento, quando nas mãos tem hipóteses de solução.


A ele se exige que crie condições para que elas não aconteçam. Como? Talvez encurtando o tempo seguido de permanência no TO, evitando o combate até à exaustão; talvez criando condições para que os operacionais regressem aos seus quartéis, após a rendição. Talvez escasseiem soluções, mas não cabe à tutela ficar pelos problemas. Se persistir nesse desando, a tutela é frouxa. E por último, porque de entre todos os combatentes, talvez sejam os bombeiros os que não fazem horário de função pública, não entram às 9.00 e saem às 5.00. Porque há quem faça.

No resto, não foi original. Não podendo calar a mensagem, atacou o mensageiro. Acontece que o truque e a manha são velhos.

Ou muito me engano ou a estas tiradas de leão vão seguir-se outras de sendeiro.

Nestes poucos tempos não assimilou o básico.

 

Rebelo Marinho

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