Quando falamos do direito das crianças ao desporto, não estamos apenas a falar de atividade física, competição ou rendimento. Estamos a falar de infância. De liberdade. De crescimento. De felicidade.
O desporto deve ser um espaço onde a criança descobre quem é, e não um lugar onde lhe dizem constantemente quem tem de ser.
Mas uma criança não nasceu para carregar os sonhos falhados dos adultos. Nasceu para construir os seus próprios sonhos.
Nem todas as crianças querem competir da mesma forma. Nem todas vivem o desporto com a mesma intensidade. E isso não é um problema. É humanidade. Há crianças apaixonadas pela competição, outras pela amizade, outras simplesmente pelo prazer de jogar. O erro está em exigir que todas sintam, reajam e sonhem da mesma maneira.
Educar pelo desporto exige sensibilidade. Exige perceber que formar uma criança é muito mais importante do que formar um campeão.
O verdadeiro sucesso não está apenas nas medalhas, nas convocatórias ou nos contratos futuros. Está na criança que cresce confiante, autónoma, resiliente e feliz. Está na que aprende a respeitar, a cooperar, a lidar com a derrota e a acreditar em si própria.
A especialização precoce, a obsessão pelo rendimento e os calendários competitivos desajustados continuam a roubar espontaneidade a muitas infâncias. Há crianças cansadas antes do tempo. Desmotivadas antes de crescer. E algumas abandonam o desporto não porque deixaram de gostar, mas porque deixaram de conseguir respirar dentro dele.
Precisamos de devolver o jogo às crianças.
Porque o desporto só cumpre verdadeiramente a sua missão quando ajuda uma criança a crescer inteira — e não apenas competitiva.
Neste Dia Mundial da Criança, que nunca nos esqueçamos disto: antes de formar atletas, devemos proteger infâncias.
E talvez a maior vitória de todas seja esta:
uma criança continuar a amar o desporto muitos anos depois de o ter conhecido.
Feliz Dia Mundial da Criança!

Vitor Santos
Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto