O Instituto Politécnico de Viseu acolheu, no passado dia 21 de maio, o seminário “Ética do Desporto: desafios atuais”.
O evento reuniu cerca de 180 agentes desportivos de todo o país num formato híbrido, combinando a vertente presencial com a transmissão digital e foi organizado pelo Departamento de Ciências do Desporto e Motricidade da Escola Superior de Educação – IPV.
Este encontro integra o II Ciclo de Formação em Ética do Desporto 2026, uma iniciativa promovida pela Rede de Escolas do Ensino Superior Politécnico com Formação em Desporto (REDESPP) em parceria estreita com o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) / Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED).
A organização conjunta deste ciclo envolve os institutos politécnicos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Porto, Santarém, Setúbal e Viseu. Conta ainda com a parceria de entidades estratégicas como a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), a Associação de Filosofia do Desporto em Língua Portuguesa e a Confederação de Treinadores de Portugal.
Um dos pontos também evidenciado centrou-se na dicotomia entre a “ética do rendimento” — focada na busca obsessiva por recordes e resultados estatísticos — e a “ética do florescimento humano“, que defende o desporto como ferramenta de desenvolvimento integral da pessoa. Os especialistas alertaram para a necessidade de olhar para o doping não apenas como uma infração técnica, mas como uma profunda questão antropológica. Em contraponto à excessiva mercantilização do desporto, os oradores apelaram ao resgate do olimpismo como filosofia de vida e ao elogio da dimensão poética, multicultural e civilizacional do fenómeno desportivo.
O papel dos técnicos desportivos foi igualmente apontado como decisivo para a mudança de paradigma na sociedade. Discutiu-se a forma como os treinadores promovem o desenvolvimento dos valores éticos e reforçou-se a importância crucial da “pedagogia do exemplo” na formação dos mais novos. Para além disso, o debate estendeu-se à própria identidade dos clubes e à necessidade de clarificar “que ética do desporto fala português”, incentivando uma maior cooperação e pluralidade cultural no espaço da lusofonia.