Um país na merda…

por Paulo Neto | 2014.07.02 - 10:48

… É o país que temos. Cada dia um desespero, um caso, uma bizarria. Temos uns animais estranhos e perigosos nas tutelas centrais da Administração Pública que são de uma devastadora selvajaria. Basta ter necessidade de recorrer a um qualquer serviço central, ir a um balcão de uma repartição. Parece que regredimos à Idade da Pedra… Funcionários sem formação (POC’s ao preço da uva mijona, pack 2 em 1: mão de obra barata e menos desemprego nas estatísticas); gente diligente e gente muito mal-avontadada (depende da sorte que nos calhar) incapaz de resolver qualquer situação que transcenda o rigor da formatação dos seus meios neurónios, com outras tantas honrosas excepções (o excelente e o mau de mãos dadas). Informações contraditórias, opostas e lesivas, dependendo do atendedor. Computadores que não trabalham. Os operativos com uma velocidade da era do comboio do Vale do Vouga (nas subidas). Não há papel. Não há toner. Não há pachola. E porém, qualquer documento custa o preço de “um papiro do Egipto”. Há bichas por todo o lado. Painéis de senhas mal colocados, pouco visíveis, nada funcionais, plasmas cujo concurso foi ganho provavelmente por uns “amigalhaços”. Gente agastada… Meio dia perdido. Situação por resolver. Venha amanhã. Volte depois… Até parece que temos que lá ir picar o ponto. Até parece que trabalhamos lá de tanto tempo lá morar. Em pé. Nos corredores apinhados perante umas máquinas de tirar senhas descontroladas, porque o Ti Manel, com 67 anos chegou lá e divertiu-se à fartazana a carregar nos botões todos como se fosse uma concertina. É a modernidade, pá. O Ti Manel tem que comprar uma tablet e treinar em casa. Querem lá ver o empata! Um cidadão que queira resolver um qualquer problema para andar dentro da legalidade…, encontra um muro alto como obstáculo nesta nova classe de “burocratas-via-única”. O Processo, de Kafka na sua mais cabal operacionalização. Um convite diário à ilegalidade. Um estímulo ao incumprimento. Porém, depois, se o utente/cidadão falha, incrivelmente, têm meios “mach 1”, supersónicos, à velocidade do som e mais da luz para irem fazer despejos, penhoras, arrestos, providências administrativas. Via verde a 200 kms/H. Sentido de lá para cá. O Zé do Telhado, agora sim, modernaço… Um Estado-ladrão, e um sistema rodilheiro onde um documento, hoje, agora, por mais simples que seja, parece um inacessível e faraónico tesouro de Tutankamon… Grande parte desta administração pública não funciona para servir o contribuinte. Funciona para extorquir (de dinheiro e paciência) o contribuinte a rogo e mando de um patrão vampiresco, sedento de impostos, impostos, impostos… A canalha neo-liberal a beber o sangue do povo exangue a mando dos mercados-patrões. Pelos noticiários vêem-se casais despejados, na rua. Sem dinheiro para pagar as rendas. Sem conseguirem ser atendidos nas filas da Segurança Social. Depois de horas numa bicha conseguem chegar a uma porta já fechada, que ninguém abre… Os funcionários também têm horários. Isto não funciona por turnos. Por turnos, non-stop, só no privado. Não há $$$ para horas extraordinárias. Nem para Bic’s… quanto mais! Redução constante do número de funcionários. Deterioração galopante da qualidade dos serviços. Modernização administrativa inexistente. Só na treta das palavras. Programas informáticos obsoletos. Gente cansada. Gente saturada. Gente desalentada… Os briosos – e são tantos – desanimam, cedem, vão na enxurrada. O stress apanha-os nas suas rodas dentadas. A vergonha baixa-lhes o olhar. Fizeram o seu melhor e soçobraram, sem estímulo nem louvor. Entretanto, este governo de maltrapilhos ri-se de tudo. Não há irresponsável de secretário de estado ou ministro palrador que não mande bocas ordinárias, desencontradas e ocas à razão de meia dúzia por minuto. Uns papagaios em crise aguda de psitacismo. A gozarem o pagode. E o pagode a deixar-se gozar… por esta cáfila de … Portugal vive na trampa com esta gente. É um esgoto fétido onde só políticos de 3ª classe gozam a ufania de uma existência fácil. Uma acção de despejo urgente e radical é o mínimo que se pode exigir. Sempre fomos brandos. Há quem diga, frouxos… E eles, os diariamente causadores-culpados, sabem-no bem… E nada temem porque de um povo frouxo nada há a recear!