Seguros. Reclamações contra setor disparam 21% este ano. Relatório mostra “fissura operacional” no setor

O barómetro conclui que o setor enfrenta uma “fissura operacional” resultante da dificuldade em responder a um consumidor digital com sistemas tecnológicos obsoletos.

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  • 10:37 | Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
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O setor dos Seguros enfrenta uma pressão crescente por parte dos consumidores. O mais recente Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal revela um aumento significativo das reclamações no setor, com 4.302 queixas registadas em 2025 (+3,86%) e uma aceleração no início de 2026, onde o primeiro trimestre soma 1.382 reclamações, refletindo um crescimento homólogo de 21,44%. As companhias de seguros concentram o maior volume de ocorrências.

De acordo com o Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal, este agravamento reflete uma “fissura operacional” no setor, que continua a depender de sistemas tecnológicos desatualizados para responder a um consumidor cada vez mais digital e exigente. Eventos extremos, como as tempestades no início de 2026, vieram agravar esta pressão, sobretudo nas áreas de peritagem e gestão de sinistros.

As Companhias de Seguros concentram a maior fatia de reclamações (44,28% no primeiro trimestre de 2026), seguidas pelos Planos de Saúde e Seguros de Saúde, que continuam a refletir a sensibilidade das famílias face aos custos e coberturas. Em termos globais, mais de metade das reclamações concentra-se nestas três áreas, refletindo a crescente complexidade das disputas contratuais e financeiras.


Entre as marcas mais reclamadas no período analisado destacam-se: Generali Tranquilidade, Fidelidade e Ageas Seguros (Companhias de Seguros); Médis e AdvanceCare (Seguros de Saúde); Medicare (Planos de Saúde); Domestic & General (Assistência a Produtos); Seguro Directo, LOGO e ok! seguros (Auto Direto); BNP Paribas Cardif, Chubb e MetLife (Pessoal e Vida); UON, Realperitos e Van Ameyde (Peritagens).

O relatório evidencia crescimentos particularmente relevantes: um aumento de 42,20% nas reclamações em Seguros de Saúde; um crescimento de 37,50% no segmento Pessoal e Vida e uma acentuação crítica de 94,44% nas reclamações relacionadas com peritagens e regularização de sinistros. 

 

Mudança no perfil do consumidor e nos motivos de reclamação

O estudo revela uma transformação no comportamento do consumidor. Verifica-se uma mudança estrutural nos motivos de reclamação, com os consumidores a contestarem cada vez mais decisões de cobertura, cobranças e condições contratuais, em detrimento de falhas básicas de atendimento. 

Adicionalmente, dados da Acepi (Associação Economia Digital) indicam que 77% dos consumidores valorizam a confiança online antes de contratar, assumindo-se a reputação digital como um ativo crítico para a sustentabilidade das seguradoras.

O barómetro conclui que o setor enfrenta uma “fissura operacional” resultante da dificuldade em responder a um consumidor digital com sistemas tecnológicos obsoletos. Neste contexto, a reputação digital emerge como um verdadeiro regulador de mercado e um ativo estratégico determinante.

Segundo Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust: “O aumento de 21% no número de reclamações no primeiro trimestre de 2026 sinaliza que a clivagem entre as expectativas digitais dos consumidores e a realidade operacional dos sistemas legados atingiu um nível crítico.

O setor dos Seguros em Portugal encontra-se num momento decisivo, onde a sustentabilidade futura dependerá não apenas da solidez financeira, mas da capacidade de adaptação tecnológica e da gestão eficaz da reputação junto dos consumidores. A transformação digital, aliada à confiança e à transparência, será determinante para garantir a resiliência e a competitividade das seguradoras no horizonte 2026-2030.

 

Sobre o estudo

O Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal baseia-se na análise das reclamações registadas no Portal da Queixa, monitorizando tendências de satisfação, comportamento do consumidor e desempenho das marcas no ecossistema digital. Desenvolvido pela Consumers Trust Labs, hub de inteligência de dados da Consumers Trust, a estudo analisou 5.684 reclamações registadas no Portal da Queixa entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026

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