Esta madrugada, às 02h50, na Praça D. João I, no Porto, 40agentes da Polícia de Intervenção aguardaram que os jornalistas saíssem do local para confrontar os 150 manifestantes ali acampados, em manifestação pelo direito à habitação.
Depois da carga policial que causou 37 feridos, dois dos quais em estado grave, funcionários da autarquia pegaram nas tendas já recolhidos pelas manifestantes e levaram-nas, juntamente com mochilas e demais objectos pessoais.
O Movimento Pela Habitação responsabiliza o presidente da câmara do Porto, Pedro Duarte, antigo ministro dos Assuntos Parlamentares do governo da AD, que na véspera prometera ser “absolutamente implacável”.
José Soeiro, antigo deputado do BE e professor da FLUP referiu aos jornalistas: “Pedro Duarte não é um democrata, ou não mandaria fazer isto. A desproporção e a ilegitimidade desta intervenção indigna qualquer pessoa que defenda a liberdade de expressão.” E acrescentou: “Não nos calam à força do bastão. Habitamos esta cidade e voltaremos às praças para lutar pela habitação. Ainda mais numerosos, ainda mais fortes. Não nos intimidam.”
O Movimento Pela Habitação, por seu turno, em comunicado denunciou ter havido “uso de força extrema, desproporcional e injustificada.”
O que foi contrariado por fonte do Comando Metropolitano da PSP do Porto, que admitiu ter havido uma intervenção policial “mais musculada” sem ter conhecimento de “qualquer indicação de feridos”, o que foi contraditado pelo comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, localizado nas proximidades da Praça D. João I, que confirmou terem sido assistidos no quartel oito pessoas.
Entretanto, o primeiro-ministro, presente em Bruxelas na reunião do Conselho Europeu declarou à Euro News:
“Nós não temos essa instabilidade, nós não temos esse nível de conflitualidade e não podemos cair no erro de considerar que escassas pessoas dão agora uma ideia de um país que parece que está agora em turbulência. Não está.”, reforçando a sua confiança nas forças policiais que, segundo ele são “extraordinariamente criteriosas e respeitadoras.”