GNR acolhe e capacita 60 psicólogos de combate da Guarda Nacional da Ucrânia em programa pioneiro de recuperação psicológica

Os psicólogos militares em teatro de operações de guerra enfrentam uma dupla carga psicológica severa: a vivência direta dos riscos e privações do terreno e a absorção continuada das narrativas de sofrimento extremo, perdas e trauma dos combatentes que apoiam, com elevado risco de burnout, fadiga por compaixão e trauma vicariante.

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  • 17:42 | Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026
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A Guarda Nacional Republicana (GNR), através do Centro Clínico, desenvolveu, entre 25 de maio e 18 de setembro de 2026, um programa especializado e pioneiro de recuperação psicológica e promoção da resiliência, dirigido a 60 psicólogos de combate da Guarda Nacional da Ucrânia (National Guard of Ukraine – NGU).

A iniciativa, estruturada ao longo de seis edições de 12 dias (com dez profissionais por grupo), visou atenuar os efeitos do desgaste emocional cumulativo, prevenir perturbações associadas ao stress traumático secundário e restabelecer a estabilidade psicofísica de operacionais diretamente expostos às exigências extremas do contexto de guerra.

Concebido no âmbito da cooperação bilateral entre as duas instituições congéneres, o modelo teve origem numa visita técnica de uma delegação da NGU ao Centro Clínico da GNR, tendo sido operacionalizado pelo Tenente-Coronel José Cardoso (Psicólogo Clinico), coordenador técnico e mentor do projeto, em estreita articulação com a Coronel Marhatyta Holovina, responsável pela área de Psicologia da Guarda ucraniana.


Os psicólogos militares em teatro de operações de guerra enfrentam uma dupla carga psicológica severa: a vivência direta dos riscos e privações do terreno e a absorção continuada das narrativas de sofrimento extremo, perdas e trauma dos combatentes que apoiam, com elevado risco de burnout, fadiga por compaixão e trauma vicariante.

Para responder a esta exigência, a intervenção distanciou-se do modelo estritamente focado no alívio de sintomas para assentar no princípio da exposição experiencial positiva. Este modelo promoveu experiências emocionais restaurativas em cenários seguros e controlados, estruturando-se em três etapas progressivas:

Avaliação e Estabilização Inicial: Alinhamento de expectativas através de sessões individuais e coletivas, identificação de necessidades específicas e estabelecimento de vínculo terapêutico;

Acompanhamento Psicológico e Desenvolvimento de Competências: Sessões clínicas estruturadas focadas na regulação emocional, higiene do sono, psicoeducação sobre stress pós-traumático e técnicas psicofisiológicas (como mindfulness e relaxamento muscular progressivo);

Consolidação e Preparação para o Regresso: Reforço dos recursos individuais de adaptação e definição de estratégias preventivas de autocuidado para a retoma das funções clínicas em ambiente operacional.
Blue Mind, Ecoterapia e Terapias Complementares

A abordagem clínica foi integrada com modalidades experienciais que tiraram partido do ambiente natural e sensorial como catalisador de tranquilidade e recuperação da atenção:

Conceito Blue Mind (Ambientes Aquáticos): O contacto estruturado com o mar e o rio funcionou como elemento restaurador de serenidade, em claro contraste com o estado de alerta e hipervigilância permanente do teatro de guerra. Neste âmbito, destacou-se a parceria com o Oceanário de Lisboa, que proporcionou uma experiência imersiva através da dormida junto ao aquário central, criando um ambiente sensorial de repouso absoluto;

Equoterapia: Realizada com o apoio e meios da Unidade de Segurança e Honras de Estado (USHE) da GNR, recorreu à interação com equinos para desenvolver consciência corporal, comunicação não verbal e regulação psicofisiológica;

Ecoterapia e Património Cultural: Em articulação com a Parques de Sintra, foram dinamizadas atividades na natureza e visitas terapêuticas e contemplativas ao Palácio Nacional da Pena, fomentando a desconexão da ameaça e a socialização em ambientes de bem-estar;

Arteterapia: Recurso à expressão criativa para canalização e simbolização de emoções internas complexas, frequentemente difíceis de verbalizar.

Para aferir a eficácia clínica e o impacto real do programa na prontidão dos operacionais, a Direção de Apoio Psicológico do Comando-Geral da Guarda Nacional da Ucrânia implementou um protocolo formal de avaliação pré e pós-intervenção, com recurso a baterias de testes e questionários certificados a nível internacional.

Os resultados obtidos confirmaram o elevado sucesso do modelo desenvolvido pela GNR, em coordenação com NGU, registando-se uma evolução marcadamente favorável em todos os grupos, traduzida na redução substancial dos índices de exaustão e na restauração das capacidades adaptativas necessárias ao regresso à linha da frente. A avaliação das autoridades congéneres sublinha que a recuperação das forças, do equilíbrio e da estabilidade interna destes profissionais é a garantia primordial da continuidade de um apoio de excelência a centenas de combatentes no terreno.

A concretização logística e multidisciplinar do programa envolveu ativamente diversas valências do Centro Clínico da GNR, incluindo médicos especialistas, enfermagem e equipas técnicas, com o suporte logístico e operacional de várias Unidades da Guarda.

Com este programa, a Guarda Nacional Republicana reafirma a sua capacidade técnica de vanguarda no domínio da Psicologia Militar e da Saúde Mental Operacional, demonstrando como a ciência psicológica e a solidariedade institucional podem convergir numa resposta concreta de cooperação internacional, capacitando aqueles que têm a exigente missão diária de cuidar dos que combatem na linha da frente.

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