Jornadas desmistificam e evidenciam possibilidade de uma “Vida saudável depois do cancro”

“Em 2020, mais de 15.500 crianças foram diagnosticadas com cancro na Europa e mais de 2000 jovens morreram desta doença. O cancro infantil continua a ser a primeira causa de morte por doença em crianças com mais de um ano e adolescentes. Um em cada 350 adultos até aos 25 anos é sobrevivente de cancro...

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  • 9:52 | Quarta-feira, 19 de Abril de 2023
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As Jornadas “Vida saudável depois do cancro”, organizadas pelo Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRC.LPCC) e Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), no âmbito do projeto europeu OACCUs – Outdoor Against Cancer Connects Us, contaram com a presença de quase duas centenas de participantes, numa iniciativa onde se desmistificou a doença evidenciando que é possível ter uma vida saudável após o cancro.

Jovens sobreviventes de cancro e familiares, profissionais de saúde, investigadores, psicólogos, nutricionistas e estudantes, marcaram presença no Auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra, no sábado (15), local onde decorreram as Jornadas e se realizaram quatro mesas-redondas em alusão aos quatro pilares do projeto, sob as denominações: “Bem-estar psicológico”; “Nutrição e Cancro”; “Dar voz aos sobreviventes e cuidadores”; “Atividade física e cancro”. Além destas, teve, ainda, lugar a realização de dois workshops (um sobre práticas de mindfulness e outro de prática de exercício físico ao ar-livre) e um showcooking de alimentação saudável, além de um momento musical surpresa protagonizado por um sobrevivente de cancro e a sua banda.

Ao longo do dia, o painel de oradores e moderadores multidisciplinar procurou desmistificar as doenças oncológicas, sublinhando que o diagnóstico da doença não é uma “sentença de morte”. Aquando da realização das duas primeiras mesas-redondas – sobre o bem-estar psicológico e sobre a nutrição -, foram tratadas temáticas concernentes aos desafios de adaptação na sobrevivência ao cancro e frisado que a promoção do bem-estar psicológico na doença oncológica ajuda na diminuição do distress. Neste sentido, foram, ainda, revelados alguns dos mitos sobre a alimentação e cancro e sublinhada a alimentação recomendada para o sobrevivente de cancro.

Por sua vez, a terceira mesa-redonda – “Dar voz aos sobreviventes e cuidadores” – contou com o testemunho de quatro jovens sobreviventes de cancro e de dois cuidadores. Neste debate, foi promovida uma reflexão sobre os desafios e necessidades dos sobreviventes de cancro para uma vida saudável e integração na vida social e académica/laboral, análise suportada pelos testemunhos dos jovens que frisaram a importância de “ferramentas” como o desporto, a dança, música e introspeção pessoal, além do apoio de familiares e amigos, fator que se assume como suporte fundamental no processo de superação da doença. Manter as rotinas e “não ter medo de se ser egoísta pensando mais em si próprio” foram outros aspetos enaltecidos pelos intervenientes.


O evento encerrou com uma mesa-redonda dedicada à temática do exercício físico onde foi abordada a importância de uma atividade física regular na jornada do doente oncológico focando, assim, os seus benefícios.

Já nas considerações finais, o professor Vítor Rodrigues, presidente da Direção do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro, enalteceu a importância de “deixar o doente oncológico fazer a sua vida normal”, dirigindo uma palavra de apoio às associações intervenientes nesta área. “É importante a sinergia entre elas porque ninguém faz nada sozinho. É gratificante lembrar-me dos tempos em que tentávamos que as pessoas morressem da maneira «o menos difícil possível» e agora sabemos que há muito mais para além da Medicina no seu sentido mais restrito. Há, realmente, vida saudável depois do cancro, o que há 40 anos era muito difícil dizer às pessoas”, concluiu.

A Enfermeira Diretora do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Áurea Andrade, sublinhou alguns números relevantes no contexto do cancro infantil. “Em 2020, mais de 15.500 crianças foram diagnosticadas com cancro na Europa e mais de 2000 jovens morreram desta doença. O cancro infantil continua a ser a primeira causa de morte por doença em crianças com mais de um ano e adolescentes. Um em cada 350 adultos até aos 25 anos é sobrevivente de cancro e é para esse que vale a pena estarmos aqui hoje até porque, felizmente, o número de sobreviventes de cancro continua a aumentar, daí a importância de uma equipa multidisciplinar e respostas adequadas a estes jovens”, enalteceu.

O debate “Dar voz aos sobreviventes e cuidadores” já está disponível na íntegra através do link https://bit.ly/41CLKk4, mesa-redonda que foi moderada pela jornalista Sara Tainha, do projeto editorial “Tenho Cancro. E depois”, da SIC Notícias, que fez, igualmente, a cobertura integral do evento.

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