No âmbito das notícias divulgadas sobre a evolução tecnológica do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), e com o objetivo de corrigir interpretações incorretas sobre o tema, o Ministério da Administração Interna esclarece o seguinte:
O valor de cerca de 800 milhões de euros associado à evolução do SIRESP não corresponde a um investimento aprovado ou em execução. Este montante resulta de um dos cenários analisados pela Equipa de Trabalho — o modelo de criação de uma infraestrutura própria, como uma operadora, totalmente dedicada do Estado para comunicações críticas. Uma solução que garantiria total autonomia tecnológica e operacional, mas que implicaria um investimento muito elevado, duplicação de infraestruturas existentes e um prazo de implementação significativamente mais longo. Contudo, este não foi o modelo escolhido.
A opção adotada foi um “modelo híbrido”, que permite ao Estado manter o controlo sobre os elementos críticos da rede, aproveitando simultaneamente a infraestrutura já existente no território, com uma solução mais equilibrada em termos de custo, tempo de implementação e eficácia.
O prazo de 18 meses, e o investimento de cerca de 36 milhões de euros, dizem respeito ao investimento atualmente em execução. Este investimento enquadra-se, essencialmente, em medidas urgentes de reforço da resiliência e da continuidade operacional da infraestrutura existente, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e da Resolução do Conselho de Ministros n.º 17-A/2026.
O objetivo é atuar de imediato sobre as vulnerabilidades identificadas, nomeadamente, ao nível da energia, da transmissão e da capacidade de resposta no terreno.
No âmbito deste relatório, foi também perspetivada, pela Equipa de Trabalho, a evolução do sistema a médio e longo prazo, tendo como horizonte a próxima década. Tal não significa que o SIRESP só estará a funcionar daqui a 10 anos, nem que o sistema atual será desmantelado, pelo contrário. O que está previsto é uma transição gradual e faseada para um novo modelo tecnológico de comunicações críticas, garantindo sempre a continuidade operacional do sistema existente.
Importa, por isso, clarificar:
• O valor de 800 milhões de euros corresponde a um cenário analisado e não adotado;
• O investimento em curso é de 36 milhões de euros, com impacto imediato na robustez do sistema;
• A evolução futura será feita de forma progressiva, sem interrupções no funcionamento do sistema.
Medidas a curto prazo
Algumas das recomendações da Equipa de Trabalho vão entrar em funcionamento ainda este verão e outras estão já implementadas no terreno:
• Está em curso a renovação das salas técnicas das estações base, reduzindo o risco de falhas por condições ambientais, sobreaquecimento ou degradação dos equipamentos;
• Maior autonomia energética: as estações passam a dispor de autonomia superior a 24 horas, garantindo comunicações mesmo em cenários de falha prolongada de energia, como já se verificou em eventos recentes;
• A partir de julho, entram ao serviço mais 4 estações base móveis, permitindo reforçar rapidamente a cobertura em zonas críticas, teatros de operações ou áreas com maior pressão operacional;
• Distribuição de Rádios TETRA às autarquias, que asseguram acesso direto à rede SIRESP e permitem manter comunicações operacionais mesmo quando as redes comerciais falham, reforçando a articulação entre proteção civil, forças de segurança e autoridades locais.