No âmbito do projeto ProSocial-Living: Um estudo psiconeurofisiológico sobre o papel da empatia e da compaixão em relação a indivíduos socialmente minoritários, uma equipa de investigação, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), está a estudar de que forma dois programas de intervenção psicológica, que promovem empatia e compaixão, podem reduzir preconceitos contra grupos socialmente minoritários – nomeadamente, minorias religiosas, étnico-raciais e sexuais – e quais as possíveis mudanças psiconeurofisiológicas associadas.
Em concreto, para compreender os mecanismos psiconeurofisiológicos que contribuem para as atitudes das pessoas em relação a grupos socialmente minoritários foram criados e vão ser testados dois programas de intervenção distintos: um centrado na promoção da empatia e outro na promoção da compaixão. “Pretendemos perceber se estes programas conseguem produzir mudanças nas atitudes, mas também como é que essas mudanças acontecem. Em particular, queremos estudar se alterações psicológicas – por exemplo, a capacidade de compreender a perspetiva do outro ou a motivação para responder ao seu sofrimento – são acompanhadas por alterações em indicadores psicofisiológicos e neuroendócrinos (sinais físicos e químicos do corpo humano que mostram as reações da mente e das emoções) associados à resposta ao stress e à afiliação social”, explica o investigador da Universidade de Coimbra.
Os participantes no estudo vão ser avaliados antes e depois da participação nos programas digitais. Vão também ser aplicados questionários para avaliar empatia, compaixão, atitudes relativamente a grupos socialmente minoritários e outros processos psicológicos. Vão ser igualmente recolhidos indicadores fisiológicos, como a variabilidade da frequência cardíaca, e indicadores neuroendócrinos obtidos através de amostras de saliva, nomeadamente o cortisol. A equipa de investigação vai iniciar em breve o recrutamento de participantes. As pessoas adultas (a partir dos 18 anos de idade) interessadas em participar podem manifestar interesse através do endereço de e-mail prosocial_living@fpce.uc.pt.
O investigador salienta que “sendo o preconceito um fenómeno multideterminado, o nosso estudo não pretende abarcar todas as determinantes do fenómeno, mas apenas a sua dimensão biopsicossocial; outros aspetos sociopolíticos, como a polarização normativa, socialização política, ou identidade social ideológica não serão estudados”. Sérgio Andrade Carvalho destaca, contudo, que “os resultados do projeto, ao contribuírem para uma melhor compreensão da relação entre pró-socialidade e preconceito, têm potencial para contribuir para o desenho de políticas e medidas destinadas à promoção da igualdade e à redução da discriminação”.
O projeto ProSocial-Living é financiado pela Fundação BIAL. Na Universidade de Coimbra, integram ainda a equipa do projeto investigadores do CINEICC, da FPCEUC, do Centro de Neurociências e Biologia Celular e do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos. Participam ainda investigadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, da Universidade John Cabot – Roma (Itália), da Universidade Deakin (Austrália), Universidade Sapienza de Roma (Itália) e da Universidade do Luxemburgo.
