O Auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu volta a abrir portas às conferências BEIRA, desta vez para a edição Primavera, que terá lugar no próximo dia 23 de maio. A entrada é gratuita e as inscrições decorrem online, em www.cm-viseu.pt.
“A ‘Guerra dos Sexos’ continua? Feminismo vs Masculinismo” é o tema que traz a Viseu a prestigiada socióloga e investigadora francesa Nathalie Heinich, também ela Diretora de Pesquisas do Centro Nacional de Pesquisa Científica, em França.
O Directório BEIRA justifica a escolha do tema, avançando que “nas últimas duas décadas tem-se consolidado um fenómeno insólito, para muitos inesperado, nas relações entre homens e mulheres. Depois de décadas de pacificação, em termos dos valores de cada um e dos direitos de ambos, tem-se vindo a cavar um verdadeiro abismo entre os sexos, hoje bem evidente em todo o Ocidente. Parece que nunca, na contemporaneidade, os imaginários dos dois sexos estiveram tão afastados, numa crescente polarização afetiva, mas também política, de evidentes consequências sociais, e talvez mesmo civilizacionais, que importa analisar e avaliar”.
Recorde-se que o BEIRA – Observatório de Ideias Contemporâneas AZEREDO PERDIGÃO é um centro de reflexão inspirado na figura de José de Azeredo Perdigão, ilustre viseense e figura ímpar da Cultura em Portugal no Séc. XX. Tem como objetivo fomentar o debate de ideias sobre grandes temas da atualidade, numa perspetiva que tenha em conta o seu enquadramento, não só nacional, mas também global. Trata-se de um projeto cultural sem fins lucrativos, criado por um Acordo de Cooperação entre a Câmara Municipal de Viseu e a Associação Viriatos.14, que são – com a Fundação Calouste Gulbenkian – os seus Membros Fundadores.
SOBRE OS ORADORES
Nathalie Heinich, socióloga e investigadora do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), é uma das mais prestigiadas intelectuais francesas da atualidade. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Aix-en-Provence, e doutorou-se em Sociologia sob a orientação de Pierre Bourdieu, em 1981. Em 1986, foi nomeada Investigadora em Sociologia no CNRS, onde se tornou “Directrice de Recherches”. A sua investigação desenvolveu-se em múltiplas áreas, com destaque para as problemáticas dos valores, da arte contemporânea e do estatuto do artista, bem como sobre a temática do feminismo e as questões da identidade e, ainda, da epistemologia das ciências sociais. Intervém com regularidade nos media sobre temas de atualidade. É autora de uma vasta obra, em que se destacam “Le Paradigme de l’Art Contemporain” (2014), “Des Valeurs” (2017), “Ce qui n’est pas l’identité”, (2018) “Oser l’universalisme” (2021) e “Penser contre son camp” (2025).
Catarina Marcelino é licenciada em Antropologia pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, tendo concluído uma pós-graduação sobre “Género, Poder e Violência” no Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Foi deputada à Assembleia da República em várias legislaturas, de 2009 a 2011, de 2013 a 2015 e de 2017 a 2020. Entre 2010 e 2013 foi presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas. Foi presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. Entre 2015 e 2017, integrou o XXI Governo Constitucional como Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade. Entre 2020 e 2024, foi vice-presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social.
Manuel S. Fonseca, licenciado em Filosofia, exerceu diversas funções, tendo trabalhado na Cinemateca Portuguesa, na SIC, na VC Filmes. Fundou, em 2006, a editora Guerra e Paz, que dirige desde então. Foi cronista no Expresso e no Jornal de Negócios, tendo artigos publicados no JL, no Semanário, nas revistas Face, Marie Claire e Granta. Foi autor das biografias de Michelangelo Antonioni e Francis Ford Coppola, editadas pela Cinemateca Portuguesa. É autor de diversos livros, com destaque para “A Revolução de Outubro – Cronologia”, “Utopia e Crime”, “Pequeno Dicionário Caluanda” e “Pequeno Livro dos Grandes Insultos”. Em 2023, publicou o livro “Crónica de África”, sobre a sua infância e adolescência em Angola.
Raquel Abecasis foi jornalista durante 28 anos, tendo desempenhado funções de repórter nacional e internacional, de editora de política nacional, de chefe de redação e de diretora adjunta da Rádio Renascença. Em 2017, aceitou o convite de Assunção Cristas para se candidatar pelas listas do CDS como candidata independente à Junta de Freguesia de Avenidas Novas. Atualmente, integra a CNN/Portugal, onde é comentadora, e é colunista no jornal Observador, focando-se na análise de política nacional.
Henrique Monteiro é jornalista e comentador. Foi diretor do semanário Expresso, onde se mantém como colunista e colaborador de referência. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, distinguiu-se pela análise política e pela atenção constante aos temas da História e da identidade nacional. É autor de vários livros e presença habitual nos meios de comunicação portugueses. É membro da Comissão Coordenadora da SEDES e do Directório BEIRA.