Companhia Estelar de Teatro faz um passeio crítico pelo Modernismo Brasileiro em Tarsila ou A Vacina Antropofágica

“A peça tem um viés profundamente feminista, propondo novos ritos de inclusão e novos imaginários, “por que quando a voz das mulheres entra no mundo, todos os mapas se alteram”, numa contribuição do tempo que nos é dado viver ao passeio de recriação de certa história cultural brasileira contemporânea”

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  • 10:26 | Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2022
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 “Uma peça para chamar utopias, construída como um rito artístico em que Tarsila e público buscam, na evocação das criações Modernistas e seu entrecruzamento com o tempo que nos é dado viver, a tão sonhada Vacina Antropofágica: uma vacina para o imaginário, capaz de engendrar novas sínteses e proteger o Brasil do futuro!”, Viviane Dias.

O encenador José Celso Martinez Correa diz que o modernismo é sempre evocado quando o Brasil passa por uma grande crise cultural e social. Tarsila ou A Vacina Antropofágica, novo trabalho da Estelar de Teatro, nasce de perguntas “desassossegadas” em um momento em que o Brasil parece ter se perdido numa encruzilhada cultural, moral, social e política. Com 12 textos encenados, e 3 livros de dramaturgia publicados, entre eles, Matriarcado-América (A Sociedade das Eróticas em Menopausa e A Máquina dos Sonhos); Matriarcado de Pindorama; Frida Kahlo- Calor e Frio esse trabalho lança olhar para o Brasil de ontem e de hoje na busca de saltar os entroncamentos da história, num tempo em que novas imagens se fazem necessárias.

Considerada uma das principais artistas modernistas latino-americanas, Tarsila do Amaral, figura central da narrativa, propõe, com muito humor e a beleza das imagens de sua autoria que inspiraram a dramaturgia, um passeio crítico pelo Modernismo Brasileiro, movimento génese de uma nova ideia de arte, idiossincrática, caldeirão em ebulição do encontro entre diferentes culturas em um novo mundo, atualizando repertórios e linguagens.

Aqui o passado cultural mítico, nativo é revalorizado e serve de inspiração para um imaginário exuberante, mágico, poético, libertário, bem como a voz feminista, a valorização de mulheres criadoras do Brasil, não só no tema mas na linguagem porosa e poética, que abre espaço para a fecunda parceria com a música original e as artes visuais (vídeo-cenários com as obras da pintora) para um diálogo inquieto com um dos momentos mais fecundos da vida cultural brasileira e o tempo presente.


“A peça tem um viés profundamente feminista, propondo novos ritos de inclusão e novos imaginários, “por que quando a voz das mulheres entra no mundo, todos os mapas se alteram”, numa contribuição do tempo que nos é dado viver ao passeio de recriação de certa história cultural brasileira contemporânea”, diz Viviane.

 

Sinopse:

Tarsila, um corpo assentamento do Modernismo, acorda de seu sono no cosmos, num grande vazio em que sua única certeza é a necessidade de criar uma nova imagem – um condensado de energia inspiradora de futuros – antes que o gigante Piaimã, Venceslau Pietro Petra, comedor de pedras – a eterna forma de quem engole gente, respiros, amanhãs – tente devorá-la (em procedimentos de “Baixa Antropofagia”). Há um estranho cheiro de morte no ar… mas não há velas, ritos, nada…só um odor de distopia.

Um diálogo atriz-personagem na busca do espanto: a possibilidade de abertura de imagens inspiradas na utopia antropofágica – libertária, sensual, decolonial & delirante brasileira – capazes de nutrir amanhãs.

 

Tarsila: pela Vacina Antropofágica

O texto e a encenação bebem nos mais de 16 anos de experiência da Estelar de Teatro pesquisando uma cena de voz feminina e antropofágica, no território de integração das artes, especialmente as artes visuais, com forte presença da poesia, das imagens, das novas tecnologias, da música e da festa.

Em MATRIARCADO DE PINDORAMA, trabalho que a Estelar de Teatro já propunha por meio da utopia de Oswald de Andrade imaginar a história do Brasil a partir de uma voz feminista em diálogo com outras vozes silenciadas. Este trabalho, depois das temporadas lotadas no no Teatro Estelar, ocupou, inclusive, o Museu do Ipiranga, a convite do SESC, trazendo novas narrativas sobre a história brasileira, em 2019.

O espetáculo uniu teatro, dança, música ao vivo, festa popular e rito cênico numa proposta itinerante em que o público é convidado a seguir os atores através de deslocamentos não só físicos, mas também em relação às certezas históricas e subjetividades dominantes.

Em seguida veio a peça digital MATRIARCADO-AMÉRICA, gravada entre São Paulo e Paris, concebida em duas partes: Sociedade das Eróticas em Menopausa (já apresentada em ambiente virtual) e A Máquina dos Sonhos.

Com dramaturgia de Viviane Dias, que divide a direção com Ismar Rachmann e edição de Vic Von Poser e Taurina Filmes, MATRIARCADO-AMÉRICA trouxe à cena questões éticas e estéticas fundamentais do Brasil da pandemia. MATRIARCADO-AMÉRICA apresenta uma Organização de Mulheres Eróticas em Menopausa, que com a ajuda de uma Máquina de Sonhos e um espírito de mulher chamado “Jesusa”, reencarnado mais de 30 vezes na América Latina e sempre morto por feminicídio, escreve uma nova Bíblia Antropofágica instaurando novas realidades poéticas, éticas e mágicas no continente. O texto inédito, inspirado pela “devoração” de importantes autoras latino-americanas, ainda pouco conhecidas no Brasil como a boliviana Maria Galindo, a chilena Lina Meruane, a nicaraguense Gioconda Belli, a mexicana Elena Poniatowska, também bebe na fonte dos pensadores David Kopenawa, Sidarta Ribeiro e Aílton Krenak.

Foi apresentada em Portugal – Lisboa, Porto e Festival Avesso, na Ilha da Madeira. E em Paris, no Théâtre de L´Opprimé.

A Estelar de Teatro  é uma companhia que existe desde 2006, com sede no Bixiga – o Teatro Estelar, na r. 13 de Maio, 120 – e que já circulou com seu trabalho pelo Brasil e países como França, Itália, Alemanha, Portugal, México, Chile. Acumula prêmios e reconhecimentos dentro e fora do país: recebeu duas vezes o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro (2020 e 2018); os Proacs Circulação (2016), Artes Integradas (2017) e Dramaturgia (2019), bem como o Iberescena (2014) e o Prêmio de Difusão Cultural e Científica Internacional da USP (2013).
Destacam-se ainda na trajetória da Estelar influência do trabalho com o diretor e pedagogo russo Jurij Alschitz. Além de trabalho continuado em pesquisa e criação teatral, a companhia realizou uma série de residências artísticas internacionais em teatros como o Potlach ( braço do Odin) e o próprio Odin Teatret.

Dentre suas últimas peças destacam-se: Matriarcado de Pindorama (no Teatro Estelar e em Ocupação no Museu do Ipiranga, a convite do SESC-SP); Matriarcado-América: A Máquina dos Sonhos; Frida Kahlo- Calor e Frio (com mais de 200 apresentações no Brasil e exterior); “Invasores de Sistemas”; “Caim”, “Mestres do Jogo”, e “Alice”, as 3 últimas estrearam no SESC Consolação. Todos os textos são de Viviane Dias e direção de Ismar Smith ou co-direção de  Ismar Smith e Viviane Dias.

Viviane Dias é dramaturga, atriz, diretora, uma das fundadoras da Estelar de Teatro e idealizadora de todos os projetos e circulações internacionais da companhia. Doutoranda em artes Cênicas – num doutorado Sanduíche entre Université Paris VIII e ECA-USP – e Mestra em Artes Cênicas pela ECA-USP, com um segundo mestrado em pedagogia teatral orientada diretamente pelo diretor russo Jurij Alschitz na UNAM, Universidade Nacional Autônoma do México. Apresentou seu trabalho autoral na França, Portugual, Chile, México, Itália e Alemanha. Tem uma das poucas cartas de confiança do mestre russo Jurij Alschitz, que a autoriza a escrever e dar aulas sobre sua abordagem pedagógica que sintetiza a tradição russa e necessidades da cena contemporânea. Já deu aulas em Universidades como a ECA-USP, A UNAM, e a Escola Superior de Artes de Yucátan, ambas no México, o Centro de Pesquisas Teatrais AKT-Zent, em Berlim e a Universidade de São João del Rey e em Paris.

Realizou uma série de residências artísticas internacionais, com importantes grupos e diretores contemporâneos na Polônia (Instituto Grotowski, com Anatoli Vassiliev; Ìndia (Milôn Milá); Itália, Alemanha (AKT-ZENT) e Dinamarca. Representou as Américas no Dia Internacional do teatro em 2021, em evento do ITI- International Theatre Institute e Unesco.

Autora dos livros Frida Kahlo: Calor e Frio – um caminho para a palavra performativa, Matriarcado de Pindorama & outras Imagens- Manhãs e Matriarcado-América: a Máquina dos Sonhos, bem como artigos em revistas como A Sala Preta.

Teve 12 textos encenados, entre eles, destacam-se Matriarcado-América (A Sociedade das Eróticas em Menopausa e A Máquina dos Sonhos); Matriarcado de Pindorama (co-diretora, junto com Ismar Rachmann, dramaturga e atriz); Frida Kahlo- Calor e Frio ( dramaturga e atriz), dir Ismar Rachmann;. Foi dramaturga e atriz também de Caim , Mestres do Jogo e Alice – espetáculos da Estelar de Teatro, dirigidos por Ismar Rachmann entre 2009 e 2012 , de Bixiga – Uma Bela Vista, dirigido por Roberto Lage e BarGaia, dirigido por Jairo Mattos. Dramaturga de “Em Alguma Margem, no Rio”, dirigida por Jairo Mattos. Performance Stanislavski 150 anos, dirigida por Jurij Alschitz na Cidade do México Integrante da Comissão Julgadora do PROAC Dramaturgia nos anos de 2015 e 2016 e do PROAC Circulação de Teatro em 2017. Destacam-se ainda participação em TV (Programa Globo Rural da Rede Globo) por 7 anos.

Ficha Técnica:

Texto – Viviane Dias

Direção: Ismar Smith e Viviane Dias

Vídeo-Cenários: Vic Von Poser

Elenco: Viviane Dias

Elenco projetado em Imagens: Anderson Negreiro e Ismar Rachmann

Musica Original: Gabriel Moreira

Duração: 70 minutos

Indicação de faixa etária: 12 anos

Uma realização da Estelar de Teatro

Serviço:

Espaço Bota (nos Anjos)

Largo Santa Bárbara 3D, 1150-040 Lisboa, Portugal.

+351 913 450 743

Apresentações 17 e 18 de dezembro.

Sábado às 21h. Domingo às 18h.

Ingressos: 10 €

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