Carne mais cara do mundo é portuguesa

A carne Wagyu é considerada pelos melhores chefes mundiais a melhor e também a mais cara. O preço da carne é elevado e pode chegar aos 100 euros por quilo.

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  • 16:23 | Domingo, 14 de Junho de 2020
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A carne de vaca mais cara do mundo está a ser produzida pelo empresário albicastrense Hugo Patrício numa herdade na zona do Alqueva, no Alentejo, a partir de embriões congelados da raça japonesa Red Wagyu adquiridos nos Estados Unidos e armazenados na Escola Superior Agrária (ESA) do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Para a produção destes bovinos, Hugo Patrício, formado em Engenharia Civil na Universidade da Beira Interior, fundou a Wagyuworld em 2017 e nesse ano adquiriu os 12 embriões congelados. Os primeiros exemplares lusos dos bovinos nipónicos nasceram na ESA, onde Hugo Patrício procurou apoio técnico, tornando-a parceir e elemento chave para a introdução e comercialização em Portugal das raças Wagyu.

Mobilizada a equipa de reprodução animal da ESA, a implantação dos primeiros oito contou com a colaboração de Moreira da Silva, professor da Universidade dos Açores, e de Gerry Estrela, técnico da Unicol, na Ilha Terceira.

“Trazer o sémen e os embriões para Portugal não foi tarefa fácil. A raça Wagyu é considerada património nacional do Japão, sendo considerado crime exportar genética para fora deste país. Os animais que existem fora do Japão partiram de importações feitas pelos Estados Unidos para investigação. Desses animais começou a reprodução fora do Japão e a disseminação da genética, inicialmente para a Austrália e Canadá e depois um pouco por todo o mundo. À época não existiam animais na Europa (pelo menos do nosso conhecimento) da espécie Red Wagyu e a solução foi ir buscar aos Estados Unidos”, recorda o empresário que conheceu esta carne de bovino por acaso.

“Conheci-a através de familiares da minha esposa, que já trabalhavam a raça na Colômbia e me despertaram a curiosidade sobre o tema. Após uma pesquisa sobre a raça em Portugal, verificámos que havia todo um mundo por explorar e que a raça era praticamente desconhecida no nosso país, existindo apenas alguns animais da variante negra da raça (Black Wagyu), sendo que a variante vermelha Red Wagyu (também conhecida como Akaushi) era completamente desconhecida”, sustenta.

Os primeiros cruzamentos foram feitos na região da Guarda e Idanha-a-Nova e posteriormente foi possível obter os embriões que permitiram ter animais de puro sangue. Aquilo que começou com a importação de genética e a introdução da raça, hoje é um projeto empresarial que engloba a criação de gado e a comercialização da carne diretamente do produtor ao consumidor.

“Estamos a iniciar uma exploração nas margens do Alqueva, onde os nossos animais podem desfrutar da tranquilidade nas margens do maior lago artificial da Europa. Estamos a desenvolver um projeto onde o bem estar animal, a produção biológica e a preservação do meio ambiente são a nossa prioridade. O nosso objetivo a curto prazo é atingir um efetivo de 200 animais”, indica Hugo Patrício.

Uma das particularidades desta carne é o marmoreio da carne (gordura intramuscular) que apenas é conseguido em animais adultos. “Ainda estamos numa fase de testes e a analisar a adaptação dos animais ao nosso país e a estudar qual a melhor alimentação para obtermos o marmoreio que pretendemos e que nos irá permitir valorizar a carne junto dos consumidores. Dados históricos da raça noutros países levam-nos a apontar para uma idade de abate aproximada de dois anos e meio”, informa.

Já a implantação de embriões de Red Wagyu irá facilitar a propagação de gado puro, assegurando-se o aumento do efetivo e uma descendência com fraca consanguinidade. Tudo para que futuros produtores possam apostar numa raça com elevada fertilidade, resistência a doenças e adaptabilidade climática.

O engenheiro zootécnico na ESA, Joaquim Carvalho, que faz parte da equipa de reprodução animal, fala num aumento de serviços para o exterior. “Fazemos serviços para fora, inseminação artificial, exames a touros e transferência de embriões como a desta raça japonesa”, conta. “Há cerca de 10 de anos”, diz, “aumentou muito a procura, temos feito este trabalho de apoio à explorações no exterior e praticamente no país inteiro”.

A carne Wagyu é considerada pelos melhores chefes mundiais a melhor e também a mais cara. “O preço da carne é elevado — pode chegar aos 100 euros por quilo — devido à qualidade única, sua grande procura nos mercados mundiais e ao facto de ser uma raça rara. Existem também outros fatores como os custos de produção que são maiores devido aos cuidados de alimentação, maneio e idade de abate que são necessário para obter o marmoreio (gordura intramuscular) que lhe confere o sabor, textura e suculência únicas da carne Wagyu”, explica Hugo Patrício.

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