Uma africana no Norte

Os dias começam mais cedo e não têm hora para terminar. Não se perde tempo em deslocações e a hora e meia de almoço, cinge-se aqui a pouco mais de 30 minutos.

Texto Romira Jamba Fotografia Direitos Reservados (DR)

Tópico(s) Artigo

  • 21:37 | Quinta-feira, 16 de Abril de 2020
  • Ler em 2 minutos

Confinada ao espaço de minha casa, com os filhos junto de mim e o marido em normal trabalho externo, tenho nestas quarentenas a possibilidade de exercer a minha função profissional através da excelente ferramenta que é o teletrabalho.

Se os filhos ocupam o seu espaço de Educação com a tele escola, a mãe continua a sua actividade, sem perda produtiva para a empresa, antes lhe dando mais horas, num processo eficaz com o qual ambas as partes ganham.

Os dias começam mais cedo e não têm hora para terminar. Não se perde tempo em deslocações e a hora e meia de almoço, cinge-se aqui a pouco mais de 30 minutos, numa confecção tipo “fast food” racional, com total respeito pelas regras nutricionais, principalmente por causa dos filhos e sem excessos desnecessários. Além disso, em casa, a melhor forma de ocupar o tempo é trabalhando. Se o patronato descobre… (e vai descobri-lo decerto) não tarda nos põe a todos neste modus operandi.

Entretanto, sigo a par e passo a evolução do Coronavírus em África, mais concretamente no meu país de origem, Angola, que e segundo o noticiado, até ao presente se mantém num patamar baixo de infectados, com 19 casos positivos, 2 óbitos, 5 recuperações e 420 casos em quarentena institucional. Há 1.203 amostras processadas aguardando-se o resultado de sequentes e naturais processamentos.

Se é cedo para o dizer, estes números são para já de esperança, prematura ou não, quando no mundo há já mais de 2 milhões de pessoas infectadas.

Também a chegada de 250 médicos cubanos a Angola, que irão ser distribuídos pelos 164 municípios do país, representa um excelente reforço para o sistema de saúde nacional.

Entretanto, o “meu” Norte (lembro que resido nos arredores do Porto), com 355 dos 629 óbitos verificados a nível nacional, vai infelizmente à frente do pelotão, sendo ainda e segundo os dados da DGS, o concelho do Porto a apresentar o maior número de casos de infeção pelo coronavírus (988), seguido de Vila Nova de Gaia (956), Matosinhos (824), Gondomar (777), Braga (775), Maia (686), Valongo (552).

Sem certificação científica para a afirmação, ouso pensar que o facto de a região Norte deter inúmeras empresas a laborar com um enorme número de operários, assim como a sua fronteira com a Galiza e uma fortíssima interligação quotidiana entre os dois povos, acrescido dos milhares de turistas que diariamente aqui chegavam, possam ser os motivos principais deste trágico 1º lugar.

Mais do que por ter uma “população menos educada, mais pobre, envelhecida e concentrada em lares”, no comentário menos feliz de um locutor da TVI… lapsos linguae, decerto.

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Opinião