No final de Abril foi divulgado o Relatório Copérnico que alertou para o aquecimento da Europa a um ritmo que é o dobro da média do planeta, o que levará a curto prazo a uma instabilidade climática estrutural, isto é, a eventos climáticos extremos (secas, incêndios florestais, ondas de calor, inundações e tempestades como as que conhecemos em Portugal recentemente, umas a seguir às outras), que estão a aumentar perigosamente em frequência, extensão e intensidade (2025 foi o ano mais quente registado na Europa e o 3º mais quente em todo o mundo). A Península Ibérica será a região mais afectada .
As alterações climáticas aproximam-nos perigosamente do ponto de não retorno do colapso dos ecossistemas e da extinção a médio prazo da nossa espécie. O degelo do Ártico está a alterar a corrente quente do Golfo a que devemos o nosso clima temperado e levará ao arrefecimento brutal do Noroeste da Europa.
A União Europeia de Von der Leyen e António Costa preocupa-se menos com as alterações climáticas, que põem em risco o futuro da Humanidade, do que com o rearmamento da Europa que apresentam aos povos como uma inevitabilidade, um imperativo categórico ditado pela estupidez de assassinos em série que invadem e saqueiam o resto do mundo na ganância pelo controlo de matérias-primas e de energia, psicopatas fautores de guerras e genocídios, com a cumplicidade igualmente criminosa de sabujos governantes europeus. O FMI alertou em Abril que o aumento de gastos com a defesa na Europa, com a meta aceite de 3,5% até aos 5% do PIB, pode equivaler a cortes de 25% nos apoios e prestações sociais (26% na Saúde e 14% na Educação).
A guerra, que os EUA iniciaram ao bombardear o Irão a meio de uma negociação que até diziam estar a correr bem, está a provocar uma recessão mundial, uma crise económica de consequências dramáticas para as populações, com o bloqueio do Estreito de Ormuz a fazer subir o preço da energia, dos transportes, dos alimentos e dos medicamentos, o custo de vida a trepar, a inflação nos 3,4%, devendo chegar aos 4,4%, e as prestações das casas a dispararem. A Comissão Europeia já admitiu o “choque de estagflação” (mistura explosiva de inflação elevada com estagnação económica e alto desemprego).
O governo português preocupa-se mais com as alterações ao Código do Trabalho (que não apresentou na campanha eleitoral, enganando os eleitores), de modo a desequilibrar as leis laborais a favor da parte mais forte, o grande patronato, e continua a fazer “bullying” sobre a UGT que, no entanto, já admitiu poder juntar-se, mais uma vez, à Greve Geral convocada pela CGTP para 3 de Junho.
Seguro prometeu que vetaria o “Pacote Laboral” se não tivesse o acordo da UGT, mas já veio dar o dito por não dito, dizendo que o poderá promulgar mesmo sem o acordo daquela central sindical. Em qualquer dos casos, o Presidente despreza a opinião da maior central sindical do país, a CGTP, dando assim razão àqueles que, como eu, apelaram ao voto contra o candidato neofascista, mas alertando que Seguro seria um presidente “inseguro”. Ademais, o Presidente já chumbou no “teste do algodão” ao promulgar a injusta e cruel Lei da Nacionalidade da direita ao serviço da extrema-direita racista e xenófoba, que viola o direito europeu, conforme parecer negativo do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, aprovado por unanimidade pelos 11 juízes, incluindo o membro proposto pelo Chega.
A retirada de 5 mil soldados dos EUA das suas bases na Alemanha, decidida por Trump, só mostra que ele venceu no seu intento de pôr os europeus a pagar as guerras da NATO. Merz irritou Trump, mas não nos faz esquecer que em 2025, quando Israel bombardeou pela primeira vez o Irão no meio de uma negociação, o chanceler alemão elogiou Israel por “fazer o trabalho sujo por todos nós”.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, justificou a retirada das tropas dos EUA da Alemanha, com a decepção de Trump por os europeus não terem ajudado na guerra de agressão ao Irão e pela acusação de Pedro Sanchez de que os EUA violaram a Lei Internacional. Entretanto, Rutte elogia Portugal pela subserviência do nosso governo aos apetites sanguinários de Trump.
Como disse o general Pezarat Correia: “Quanto mais nos preparamos para a guerra, mais a guerra nos parece inevitável!”- E conclui este militar de Abril, sabiamente: “Conflitos”
NÃO À GUERRA E AO “PACOTE ANTI-LABORAL”!
Carlos Vieira