Os perfis anónimos

Quem se esconde para dizer o lhe apetece nem o nome merece. São uns sem-vergonha. Uns tristes. E uns trastes. São pessoas de duas caras. Não prestam. Não valem. São felizes assim. A dizer e a escrever, sem assinatura.

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  • 21:01 | Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
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Há um caminho oleoso que umas avestruzes burras, aproveitando as novas tecnologias, descobriram e percorrem ao ritmo da sua maledicência.

Para derramarem o seu veneno e destilarem o seu ódio escondem-se atrás de uma página do facebook que qualquer descerebrado, em momentos de orgias fantasiadas, sabe criar. E depois é só espadeirar a torto e a direito, sem critério.

Estas sanguessugas hermafroditas – têm o lado mau do homem e e a parte cínica da mulher – sem cerdas, proliferam, reproduzem-se, em terreno de boa semeadura. Sempre de rosto tapado, como os carrascos da Inquisição, os algozes da era moderna.


Isto é feito por uma razão e com um objectivo.

A razão: o anonimato permite dar voz à falta de ideias ou à sua magreza de valia. Com a cara destapada seriam motivo de troça e algaraviada jocosa.

O objectivo: livremente, dizer mal, criticar, ofender, chafurdar, incendiar, e a besta a rir-se.

Por detrás de ambos está sempre um cobarde, um inútil, um incapaz de pensar e sem coragem de acusar.

Quem assim faz, e há por aí umas páginas tão desinteressantes quão nojentas a florescer à custa do mistério, que descansa e protege, é um invertebrado que rasteja. Deste modo, se pode elogiar à mesa do café e apunhalar pelas costas no banco do jardim. Com a mesma franqueza. Deste modo, podemos ser um e outro, ao mesmo tempo, sem deixarmos de ser um esterco, um monte de estrume. São perigosos, não se revelam, são cobardes.

Quem se esconde para dizer o lhe apetece nem o nome merece. São uns sem-vergonha. Uns tristes. E uns trastes. São pessoas de duas caras. Não prestam. Não valem. São felizes assim. A dizer e a escrever, sem assinatura.

Quem, podendo dizer olhos nos olhos o que lhe vai na alma, se refugia numa coisa sem nome, uma parede, não tem crédito nem prestígio. E não é de gente crescida.

O azar é que estes lacraus bordejam os caminhos de gente boa e de bem.

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Publicado em Opinião