Num destes últimos sábados estávamos a almoçar num restaurante e ao nosso lado estava um homem na casa dos trinta anos, bem parecido, acompanhado por duas lindas meninas que ao princípio dava a ideia de serem gémeas, mas com o tempo apercebemos-mos que tinham uma diferença de idades embora muito pequena, uma ano, talvez!
Com o desenrolar da conversa entre a o pai e as meninas deu para entender que aquele pai era divorciado e estava a passar o fim de semana com as filhas. Quando digo conversa devia dizer monólogo, porque este homem que mostrava ter cultura e conhecimentos era uma matraca que não deu oportunidade àquelas crianças para dizerem alguma coisa! O que mais nos impressionou foi a forma como ele se dirigia às pobres meninas! Beatriz sente-se como deve ser! Inês feche as asinhas, ou quer começar a comer com uns rolos debaixo dos braços! Virando-se para uma delas, a mais velhinha, que andaria no 1º ano, atirou-lhe com a seguinte carga: Vou comprar-lhe todos os livros de literatura infantil e a menina vai ler e vou começar pelo Gato Malhado e a Andorinha Sinhá que foi escrito por um grande escritor brasileiro, o Jorge Amado! Conhecem? Ao que elas acenaram com um receoso Não!
As meninas nada diziam apenas ouviam e ouviam e cada vez mais entediadas! Começou o almoço e aí veio uma enxurrada de bons modos e boas maneiras, desde como pegar nos talheres, no guardanapo, como colocar os talheres quando se termina, etc., etc.
Resultado a dado momento uma sentiu-se mal e pediu para ir à casa de banho e a outra, mais reguilota, aproveitou aquele momento de liberdade e meteu-se debaixo da mesa! Eu só não bati palmas porque seria pouco adequado, mas troquei com ela um sorriso cúmplice!
Quando saímos respirei de alívio e apenas desabafei que houve um momento em que tive que me segurar para não dizer àquele pai para falar mais baixo porque nós não tínhamos que apanhar com uma lição de boas maneiras e que desse oportunidade às filhas para elas falarem do que gostam! Talvez o almoço se tornasse mais animado e interessante!
Saí dali com a certeza que nem todos nascemos para ser pais, como nem todos nascemos para ser pianistas! Eu tentei aprender a tocar piano, mas não consegui sair das pombinhas da catrina.
Paciência! Sou boa a fazer lampreia, apesar de não a comer.