Portugal chega a esta eleição presidencial num tempo exigente. Um tempo de incerteza internacional, de mudanças aceleradas e de desafios internos que se acumulam há demasiado tempo. Não é apenas uma eleição sobre pessoas ou estilos. É uma escolha sobre o rumo do país, sobre a qualidade da nossa democracia e sobre a forma como queremos viver em comunidade.
A democracia portuguesa nasceu da coragem e do inconformismo. O 25 de Abril abriu-nos as portas da liberdade, da dignidade e da participação cívica. A integração europeia consolidou esse caminho, trazendo oportunidades, estabilidade e horizontes mais amplos para gerações inteiras. Mas nenhuma conquista é definitiva. A liberdade, a democracia e o progresso exigem cuidado, vigilância e renovação permanente.
Perante este cenário, o maior risco não é mudar demais. É continuar a adiar decisões, a pensar apenas no curto prazo, a governar em função do próximo ciclo eleitoral. O país precisa de visão estratégica, de estabilidade e de confiança. Precisa de um Estado mais eficiente, de uma economia que crie valor e aumente salários, de políticas que combatam as desigualdades e reforcem a coesão social e territorial.
É também neste quadro que importa sublinhar o papel absolutamente central da comunicação social local e regional. Jornais e rádios locais são pilares silenciosos da democracia. São eles que acompanham o quotidiano das comunidades, que dão voz aos problemas ignorados, que promovem um debate próximo, informado e responsável. Num tempo em que proliferam a desinformação, o sensacionalismo e o discurso de ódio, estes órgãos de comunicação são espaços de confiança, de equilíbrio e de liberdade de expressão. Defender a democracia é também defender uma comunicação social livre, plural e enraizada nos territórios.
A eleição de 18 de janeiro é, para mim, um momento de escolha clara e responsável. Apelo à mobilização cívica, à participação consciente e ao voto esclarecido. Não contra ninguém, mas por Portugal. Por um país fiel à sua Constituição, que protege o Estado Social, que exige respostas sérias na saúde, na habitação, para os jovens e para os idosos, e que cuida da coesão social e territorial. Um país com esperança, com coragem de agir para melhorar a vida concreta das pessoas.
No dia 18 de janeiro, peço-vos um voto que garanta equilíbrio democrático, responsabilidade institucional e respeito pelos valores da República. Um voto que afirme que Portugal precisa de união, exigência e sentido de Estado.
A esperança é isso mesmo: a coragem de construir um país mais justo, mais equilibrado e mais próximo das pessoas. Com moderação, equilíbrio e confiança no futuro, com sentido democrático, humanista e progressista para ter na segunda volta e na presidência da República uma voz diferente para o futuro de Portugal.
António José Seguro
