O professor Marcelo, “le petit Macron portugais”

“Nós estamos aqui porque temos um Presidente da República que é o maior fator de instabilidade política no nosso país. Nós estamos aqui porque temos no Palácio de Belém alguém que não consegue conter a palavra, alguém que não consegue conter a sua ação, alguém que diariamente intervém na atividade legislativa”

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  • 17:22 | Domingo, 07 de Janeiro de 2024
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Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições presidenciais de 2016 com o apoio do PSD e do CDS-PP, sendo candidata do PS Maria de Belém Roseira.

Em 2021 recandidatou-se ao 2º mandato com o apoio implícito do PS, que se manteve de fora na escolha de um candidato próprio, tirando o tapete à socialista Ana Gomes.

MRS foi deputado nas listas do PSD, secretário de Estado de 1981 a 1982 e ministro dos Assuntos Parlamentares do governo da AD capitaneado por Pinto Balsemão, tendo sido entre 1996 e 1999 presidente do PSD. Um “laranja” a corpo inteiro.

Emmanuel Macron, em França, começou como socialista, chegou a ser ministro da Economia no governo de Valls, fundou o seu próprio partido, o “Em Marcha” e foi presidente da República em 2017, eleito à 2ª volta e à justa com o apoio da esquerda e reeleito em 2022 com os votos da mesma esquerda e sempre contra a extrema direita de Marine le Pen.


Marcelo e Macron estão no seu derradeiro mandato. O que lhes dá liberdade para voltarem às suas matrizes e às suas origens ideológicas. Já nada têm a perder e podem, enfim, ser “sinceros”.

Marcelo foi criticado pelos seus correligionários pelo “apoio” que deu-não-deu a António Costa. Precisava dele para a unanimidade da sua segunda candidatura. Que conseguiu com este “jogo de cintura”.

Contestado por vários nomes do PS manteve o consistente apoio de António Costa.

Perante os factos entretanto decorridos, a dissolução da Assembleia da República e a marcação de eleições antecipadas, nos bastidores, Marcelo terá dado o seu beneplácito à recriação da  nova Aliança Democrática.

Actualmente, são muitas as vozes críticas entretanto levantadas contra o Presidente da República e a sua actuação polémica.

O ex-secretário de Estado socialista Ascenso Simões é uma dessas vozes, e neste 24º Congresso do PS foi assertivo:

“Nós estamos aqui porque temos um Presidente da República que é o maior fator de instabilidade política no nosso país. Nós estamos aqui porque temos no Palácio de Belém alguém que não consegue conter a palavra, alguém que não consegue conter a sua ação, alguém que diariamente intervém na atividade legislativa”, mais referindo, “o país pode estar a caminho de uma instabilidade que pode não ter fim, ou a ter fim será um fim longo” e acrescentando “Podemos ter eleições nos Açores, eleições legislativas, eleições europeias, novamente eleições legislativas, eleições autárquicas, eleições presidenciais. Vamos passar a vida em eleições, porque temos um Presidente da República que não se contém, que fala todo o dia, a qualquer hora, sobre tudo”.

Marcelo Rebelo de Sousa tem ainda uma “batata quente” por explicar, o caso das “gémeas brasileiras” e o seu envolvimento e o de seu filho Nuno no bizarro assunto que custou ao erário público mais de 4 milhões de euros.

Marcelo joga o tudo ou nada, até com o eventual apoio à inclusão do Chega no suporte de um governo de direita congregador do PSD, do CDS-PP, do PPM e da IL.

Se o PS socialista ganhar as eleições de 10 de Março, MRS fica numa situação desconfortável. Se para o fazer carecer de uma nova “geringonça”, o que o novo secretário-geral eleito, Nuno Pedro Santos, não inviabilizará, as posições extremar-se-ão.

Com a Justiça também ao ataque, vamos ter um 1º trimestre emocionante…

 

 

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Publicado em Opinião