Henry Kissinger, esse influente secretário de estado dos EUA, dizia que o poder era o maior afrodisíaco. Tinha razão. A adrenalina, a “pica”, a sensação de domínio, a ilusão de decidir, a influência, o sentar-se em cadeiras que nunca seriam suas, receber convites inesperados, ter palco, são imperdíveis.
Eu diria que é o afrodisíaco que mais facilmente leva ao êxtase, ao orgasmo. Mais do que uma silhueta perfeita, um corpo escultural, um peito bem desenhado. O poder é fantástico e tem um poder de sedução enorme. A capacidade de empreender e transformar que lhe está associada é enorme. E cativante. Não é trocável por coisa alguma.
Mas quando o poder está nas mãos de uns escroques que governam o que é comum como se fosse coisa sua, nas mãos de uns crápulas que gerem sem regra e segundo simpatias e humores, é mau.
Quando se (des)governa por capricho e aferro, sem respaldo, é péssimo.
Quando o poder estraga, desconstrói, omite, complica, transforma num desperdício o tempo em que foi exercido e agride-se a vontade de quem votou.
Quando o poder cai nas mãos de gente sem escrúpulos, que não cumpre a lei, devia ser escrutinado severamente pelas entidades oficiais. Até para exemplo dos que ainda acreditam que vale a pena trabalhar desinteressadamente para a causa pública.
Para esses, inúteis e descartáveis, o poder é o pináculo das suas vidas, o sonho que, sem esse instrumento formal, nunca alcançariam. Pífio e frouxo. Em tamanho e condizente com o seu cérebro. Estranho e podre.
Rebelo Marinho