O meu 25 de Abril

E os dias seguintes? muita euforia.. muitos viva o MFA! No liceu falava-se de coisas  de que antes nunca se tinha falado e as notícias eram acompanhadas com entusiasmo na RTP desde que abria a meio da tarde até que encerrava por volta da meia noite!

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  • 10:21 | Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
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Tinha 12 anos no dia 25 de Abril de 1974. Frequentava o antigo primeiro ano do liceu equivalente ao atual sétimo ano e era uma afortunada por ter feito parte do grupo  com que abriu a Escola Preparatória Duarte Madeira Arrais.

O meu professor de história nesse ano era o agora meu querido amigo Dr. Manuel Ferreira Pinto, que muito contribuiu para o meu gosto pela história. Lembro-me que naquele ano do programa daquela disciplina fazia parte a Grécia Antiga  e tudo o que com ela se relacionava nomeadamente a arquitetura.

Quando visitei a Acrópole de Atenas, revivi tudo o que tinha aprendido nas aulas e no livro de história. Naquela altura, nem em história, nem em qualquer outra disciplina se falava da nossa história recente e a democracia era um conceito que apenas era referido como tendo tido origem na Grécia.


Que me lembre nunca ouvi falar em fascismo, ditadura e revolução, por isso no dia 25 de Abril esta serraninha da Nave estava um bocado assustada quando alguns homens se juntaram na taberna dos meus pais e falavam num golpe de estado.

Ouvia-se a rádio com muita atenção e os homens  comentavam entre si o desenrolar dos acontecimentos. Ainda hoje ecoam nos meus ouvidos as palavras do Tio Ribeiro, presidente da junta da altura, ao dizer com muita autoridade e sabedoria: isto é um golpe de estado.

A minha curiosidade aumentava, porque golpes eu só conhecia aqueles que fazia quando utilizava de forma desajeitada a faca para descascar as batatas ou partir um naco de pão. A noite ia avançando e todos se mantinham ali de pedra e cal  até de madrugada, adiando o sono com mais um copo de vinho. E eu?! o que é que me manteve vigilante até  ao raiar do dia? hoje sei que foi a minha curiosidade que era apaziguada e ao mesmo tempo atiçada  à medida que as notícias iam sendo dadas.

Não me lembro de ver imagens na televisão, embora naquela altura, os meus pais já tivessem uma. Hoje ponho a hipótese de a televisão não ter emitido naquele dia.

E os dias seguintes? muita euforia.. muitos viva o MFA! No liceu falava-se de coisas  de que antes nunca se tinha falado e as notícias eram acompanhadas com entusiasmo na RTP desde que abria a meio da tarde até que encerrava por volta da meia noite!

Passada uma semana foi o primeiro, primeiro  de Maio em liberdade em Portugal e esta semana foi a semana em que mais aprendi sobre democracia, exilio, fascismo, liberdade…

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Publicado em Opinião