Já não se atura a novela. E não se compreende a imunidade. Se o PR continuar a hesitar, a adiar, e não intervier, está a ser igual, está a defraudar as expectativas que criou nos seus eleitores: uma nova forma de fazer política, mais limpa, mais arejada, menos enfeudada, menos esclerosada. Bem sei que o assunto, dado o melindre, requer diplomacia e mecânica de bastidores. Mas já é tempo a mais. Se nada fizer, o PR torna-se cúmplice de uma clara violação da ética republicana e dá argumentos aos que injustamente o acusaram de mole e frouxo, avesso a decisões e alérgico a rupturas. Porque não confunde serenidade com precipitação, acredito na firmeza do PR.
Não é aceitável que um ex-director nacional da PJ use em proveito próprio uma viatura apreendida a favor daquela polícia. Mesmo que seja legal, o que não acredito, não é decente. Mesmo que haja razões, não é transparente. Mesmo que seja transitório, não é razoável.
Este último episódio do Golf GTD que o MAI pediu emprestado à direcção da PJ tem tudo para ser explosivo, combustível para dinamitar a idoneidade do governo. Pediu, é certo, mas há pedidos que o bom senso recomenda que não se façam. Uma vez feito, podia a direcção da PJ recusar? Poder, podia, mas não o futuro não correria igual. E nessa medida, foi, é, um abuso de poder.
O sr. Luís Neves é uma maçã podre que está a contaminar os pares que ainda se indisporão com os abusos. O sr. Luís Neves está a mais. Só talvez Montenegro, sabendo-o, não o queira ver. Se a legislatura não tiver condições de nobreza, é preferível mudar. O clima está a ficar doentiamente pantanoso.
Rebelo Marinho