O fiel Costa

Sucederam-se secretários de Estado muito resilientes, a tudo e a todos, como é o caso do da Juventude e Desporto, que de escândalo em polémica lá se vai aguentando, com Costa a soprar-lhe à rota boia e sem que o povo perceba para que serve o dito e o porquê de estar tão bem amparado, "malgré les boutades".

  • 21:01 | Sábado, 12 de Dezembro de 2020
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Muitos defeitos podem as más-línguas da nação apontar a António Costa, e andam para aí muitas afiadas, mas há uma qualidade insuperável que ninguém lhe negará: a sua já lendária fidelidade.

Fidelidade a quem? Aos membros do seu Governo, que o primeiro-ministro defende assanhadamente, como se fossem passarinhos de porcelana em frágil ninho.

Já quando foi o tempo de deixar cair o insustentável Azeredo Lopes, ministro da Defesa, quase foi um clássico dramalhão a despedida na Avenida Ilha da Madeira.


Antes disso, o caso daquele ministro da Cultura de quem só me lembro ser poeta e chamar-se… sim, ocorreu-me agora, Castro Mendes, um ingénuo a custo substituído por uma tia gaffeuse de sua Graça, Fonseca…

Sucederam-se secretários de Estado muito resilientes, a tudo e a todos, como é o caso do da Juventude e Desporto, que de escândalo em polémica lá se vai aguentando, com Costa a soprar-lhe à rota boia e sem que o povo perceba para que serve o dito e o porquê de estar tão bem amparado, “malgré les boutades“.

Eduardo Cabrita, o novo Mister MAI, também expôs fragilidades graves com o caso SEF e o assassinato do ucraniano Ihor, e com a má imagem que o ministério que tutela deixou, a nível nacional e internacional, com rodilhas embrulhadas, explicações abstrusas e inabilidades letais.

Ana Catarina Mendes, num programa de cusquice na TV já o veio despedir. Outrotanto não fez o fiel Costa.

António Costa que terçou agora armas com o ministro Pedro Nuno acerca da TAP, tendo saído circunstancial vencedor, embora não se saiba se por muito tempo…

Assim, por aí adiante, a saga prossegue passando para o exterior a depauperada e desarticulada imagem de um Governo, que em nada contribui com a solidez política destes “pupilos” para a sua fortalecida saúde presente e futura, antes podendo vir a estar-se, neste contexto, perante a “crónica de uma morte anunciada”.

António Costa, um resistente, em tempos de crise e de presidência do Conselho da União Europeia, bem dispensaria todas estas inoportunas polémicas. Porém, uma coisa é certa e tal lhe louvamos, se não for o membro do Governo a exigir sair por seu pé, António Costa pode mandar recados pelas Anas que o ainda cortejam, mas não dá o braço a torcer e não se desfaz de uma escolha sua, mantendo-a, numa fidelidade elogiável, até ao derradeiro e inadiável momento do implacável e impreterível suicídio político.

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Publicado em Opinião