Estranho, este assalto ao gabinete do líder do CH, na Assembleia da República.
Décadas de história parlamentar não nos dão análoga ocorrência. Não obstante sabermos que com este partido e com este líder e seus acólitos tudo é possível, desde fake vídeos publicados no tik toc, a ridículas congeminações para “pato bravo” apreciar (e são inúmeras), acrescidos dos comportamentos manifestados pela bancada parlamentar, num tumulto por vezes quase histérico e frequentemente ofensivo, a tudo vamos assistindo e quase nos habituando.
Desde fotos ajoelhado em Fátima de vela na mão; filmes a sugerir o apagamento de fogos; reportagens com água simulada nas catástrofes meteorológicas; simulação de eventuais achaques em período eleitoral; comunicados sobre possíveis ameaças e ataques à sua pessoa… tudo serve para criar factos mediáticos com impacto na opinião pública mais acrítica.
Desta feita, o gabinete deixado de portas abertas apareceu assaltado pela alvorada, numa descoberta feita por um madrugador deputado do partido que aí se dirigiu (convenientemente, diríamos se fôssemos dados a teorias conspirativas…) a uma inusual hora: 07H00.
As imagens de imediato postas a circular nas redes sociais mostram papéis no chão, armários abertos, cadeiras tombadas e fotografias emolduradas (cujo vidro, decerto de alta qualidade, se manteve inquebrável). Como se fosse um cenário meticulosamente organizado até lobrigamos um passepartout com a Nª Sª de Fátima e, sobre o vidro, muito bem enquadrado, um terço que pretende ser prova da profunda fé cristã do seu dono/usuário.
Resta agora aguardar pelos resultados da competente investigação encetada pela PJ e esperar que seja(m) encontrado(s) o(s) larápio(s).
Até lá todos são suspeitos, desde deputados a membros do governo, agentes da autoridade e funcionários. Ademais, estas ocorrências, inquietantes, causam fundados receios de se voltarem a repetir e, se forem circunscritos ao gabinete do líder do CH, capazes de lhe tirar a paz de espírito e a força anímica que o encaminhariam inexoravelmente aos mais altos desígnios da nação.
Quanto ao invocado “grau zero da democracia” atingido, como referiu Ventura num post nas redes sociais, as questões são:
Quem beneficia, afinal, com esse grau zero da Democracia? Quem tira proveito da descredibilização das instituições?
PS: Depois de uma invocada CPI ao ministro da Administração Interna, denuncia o CH que desapareceu uma pen, ali à mão de semear, com dados relevantíssimos, secretos e fundamentais acerca de Luís Neves.
Mas também terá desaparecido outra pen, com informações sigilosas acerca do primeiro-ministro e talvez do caso “Spinumviva”.
Que pena, tão relevantes, cruciais e confidenciais provas, ali à mão de semear, terem sido roubadas…