Imigração em Viseu

Portugal, tradicionalmente país de emigração, conheceu, nas últimas décadas, uma nova realidade de fluxos regulares e relativamente intensos de imigrantes. Viseu não escapa a esta inevitabilidade e quem vem de fora cedo se apercebe do aumento do número de cidadãos imigrantes na cidade.

  • 13:24 | Domingo, 04 de Novembro de 2018
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Portugal, tradicionalmente país de emigração, conheceu, nas últimas décadas, uma nova realidade de fluxos regulares e relativamente intensos de imigrantes. Viseu não escapa a esta inevitabilidade e quem vem de fora cedo se apercebe do aumento do número de cidadãos imigrantes na cidade. Muitos brasileiros, indianos, moldavos, russos, chineses, etc… podem encontrar-se com facilidade nos supermercados, nos espaços comerciais e naturalmente no mercado de trabalho do concelho.

É facilmente perceptível que esse novo cenário acarreta vantagens e desvantagens para a região e, bem entendido, falando de imigração legalizada. A necessidade de mão-de-obra em determinados sectores da economia local não é compensada pelo mercado de trabalho interno sendo importante a vinda de imigrantes. A imigração pode-se revelar crucial para satisfazer as necessidades do mercado laboral, e a um nível mais lato, pode contribuir decisivamente para o crescimento económico da região mas é necessária uma política imigratória consistente e reguladora desta lei de oferta/procura a par de um permanente acompanhamento local, pois caso, contrário podem tornar-se meros concorrentes da população viseense activa com todos os inconvenientes que isso acarreta.

Já no que concerne às desvantagens, o principal aspecto que ocorre é o aumento da criminalidade quase sempre ligado à exclusão social. O problema é tanto mais notório quando redes de imigração organizada oferecem expectativas acima da realidade regional e os imigrantes uma vez aqui chegados não conseguem emprego estável e a respectiva legalização. Estes aspectos estão por vezes ligados a um conjunto de problemas mais vastos como as redes de tráfico humano, ligadas às máfias dos países de leste, brasileiras, etc, nomeadamente para a prostituição, trabalho ilegal, etc.

Estão ainda presentes, certamente, na memória dos viseenses as imagens das redes de prostituição do “Bairro Vermelho” em 2013. 

Para que as vantagens sejam em todo superiores às desvantagens torna-se necessário, na minha opinião que os “novos viseenses” sejam incluídos num processo de responsabilidade partilhada entre sociedade local e imigrantes.

É necessário que a Autarquia coordene as estratégias de actuação concertadas das diferentes entidades que intervêm na área das migrações, a nível local, e que concorrem para a concretização do processo multivetorial dos imigrantes na sociedade viseense.

Isso está a ser feito? Viseu tem algum Plano Municipal para a Imigração?É facto, que é, também, através cada um de nós, naquela que é a nossa esfera de actuação pessoal que a integração acontece: no nosso prédio, na nossa rua, no nosso bairro, na nossa comunidade. É aí, ao final do dia, que a integração acontece. É lá, no  nosso local, mesmo que na Praça da República nada façam para que isso aconteça!

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