Há novidades na “guerra da água” em Viseu. Agora já há desconto de 15% para todos durante três meses

Esta é a realidade lastimável numa autarquia que para tentar contornar o problema, centrada que é no auto elogio, na auto promoção, no culto da imagem do seu presidente, vai ao bolso dos munícipes sempre que pode.

Texto Pedro Morgado Fotografia Direitos Reservados (DR)

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  • 22:32 | Sábado, 04 de Abril de 2020
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Subiu de tom a polémica acerca do aumento dos tarifários encontrados nas facturas da água, no concelho de Viseu.

Absolutamente inoportuno e desprovido de humanidade no actual contexto de estado de emergência que já está a ter graves repercussões económicas, tais como o lay-off de muitas empresas da região, desemprego e muitas carências económicas, é também um brutal acréscimo no custo desse bem essencial que curiosamente ao longo dos últimos seis anos tem visto o seu valor inflaccionado a reboque das taxas e taxinhas aplicadas ao m3 e a “tudo o que mexe”.

De repente, ao longo dos últimos dias, as redes sociais foram inundadas por largas dezenas de posts de munícipes revoltados, descontentes e indignados. Há consumidores a manifestar a sua indignação, frontalmente, nas páginas do município, e a queixar-se que os seus comentários são eliminados.

Contudo, a “novela” teve este sábado um novo desenvolvimento. O “Pai dos Pobres”, António Almeida Henriques, junto de quem muitos munícipes procuram conforto e apoio à porta da autarquia, colocou em pausa o seu confinamento forçado e no exercício das suas funções enquanto Presidente do Conselho de Administração das Águas de Viseu (ou melhor dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento de Viseu) determinou que irá aprovar a “aplicação de um desconto de 15% sobre os valores de consumos nas facturas de abril, maio e junho”.

Bravo!

Contudo, a “benevolência” da medida não apaga a perversa intenção da acção. Apesar de no concelho de Viseu as subidas da água e saneamento não serem uma novidade – ao longo dos últimos anos as tarifas foram actualizadas todos os anos e corrigidas três vezes – desta vez é visível a contestação. O truque sempre foi simples: aumentando ou diminuindo os escalões, subindo ou descendo o valor do metro cúbico, apoiando ou cortando a subsidiação às famílias carenciadas, a factura é sempre a subir.

Esta vaga alterosa que se levanta contra uma acção prepotente e incendiária mostra também que este autarca, ao fazer uma controversa gestão dos dinheiros públicos, ao não conseguir acertar num rumo coerente com as promessas eleitorais e com os anseios dos eleitores, basicamente polarizado numa política de regabofe, de festins contínuos, de propagandas sem sentido, que conduziram a um gasto incontinente do erário público, está sem dinheiro e a catar o cotão do fundo vazio dos cofres do Rossio.

Daí, talvez, a necessidade de recorrer a um empréstimo à banca de 8,4 milhões de euros, daí ter que ir aos SMAS buscar um milhão de euros/ano, daí a necessidade de aumentar descontrolada e arbitrariamente os custos de um bem tão essencial como a água…

Esta é a realidade lastimável nesta autarquia que para tentar contornar o problema, centrada que é no auto elogio, na auto promoção, no culto da imagem do seu presidente, vai ao bolso dos munícipes sempre que pode.

Se a isto juntarmos, que decorridos quase sete anos de mandato, a inquestionável ausência de obras referenciais a que se propôs e que nunca passaram da fantasiada retórica dos outdoors… que temos nós? A tibieza de um agir, a frouxidão de um actuar e o foguetório estrepitoso, no ar célere queimado, das decadentes e reiteradas festarolas, que se positivas foram, só o terão sido para uma limitada franja de beneficiários e, de forma nenhuma, para os 100 mil munícipes do concelho.

Um dos muitos posts na rede social Facebook (de autor devidamente identificado), a título de exemplo, ipsis verbis e com a devida vénia:

Este post gerou uma quantidade inusitada de comentários, mais de uma centena em parcos minutos, e sobre o seu teor… procure o leitor, porque as críticas são muito, muito fortes, mostrando a revolta e uma consciência clara de um repúdio geral.

Em nota afinal… tenham presente aquilo que aconteceu com os preços da água em Penacova, a resistência que provocou e o recuo que gerou.

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Publicado em Opinião