Há domingos, que por não me apetecer ir longe, fico por perto. Ou em casa, ou fazer o passeio dos trsistes infelizes. Ir ao shopping almoçar, fugir das montras para evitar gastar dinheiro. O dinheiro está mesmo muito caro.Ir ao centro comercial e observar as pessoas, traz vantagens. Um pouco como ir à Feira da Ladra. Gosto de as ver, os gostos, os modos, o ar contrafeito dos maridos, os netos ao colo dos avós, a “perseguição” dos jovens às meninas domingueiras, a conversa de ocasião, as famílias que se juntam à roda para tomarem chá e café. Eles numa ideia, elas noutros interesses.
A senhora gesticou, barafustou, espumou. Perguntou se eu precisava da cadeira, “que não“, respondi. Então? “que peça“. Não pediu.
Ouvi da mulher, que sou implicativo, que a senhora era de idade, que tínhamos de ter ouvidos moucos. Não tive.
Estava no meu gelado possível que ao fim de semana, podendo, não dispenso, um cone de três saberes da Häagen-Dazs é insubstituível, muito melhor do que os “Santini”, ali quem sobe a Rua Garrett, em Lisboa, quando um jovem casalinho, namoro de três semanas, se aproximou e perguntou se a cadeira era necessária, se a podiam levar. “que sim“, não faziam falta, éramos só dois. Agradeceram e sorriram. Beijaram-se. Mudei um pouco a ideia de que a juventude é toda destravada, não tem respeito, nem jeitos, nem maneiras, que é tudo bué, meu.
E recuei no tempo em que na minha escola tinha a estranha mania de dar primazia às colegas na entrada e de lhes segurar a porta, até que passassem. Até que um dia uma sirigaita intrometida teve o desplante de entrar com ar de parva, sem ter o modo de agradecer. Mal educada. Mudei. Até lhe fazia esperas. Assim que a via aproximar-se, ganhava dianteira, abria a porta e fechava-a de propósito, quase a atingindo na cara. Reagiu. “Que era assim”, respondi, acompanhando a burrice.
A educação não está na idade, está no berço.
O comportamento e a postura das pessoas dizem-nos, por vezes, muito mais do que os seus estudos e o seu passado. A família conta muito e é decisiva. E mesmo essa está cada vez pior. Com a falta de bules, já bebe menos chá. Que nos guarde, que os homens já nos perderam a conta.