Precisamos de construir ecossistemas locais de cuidados, alicerçados na cooperação entre as entidades públicas – Estado Central e Municípios – Terceiro Setor – IPSS, Misericórdias, Cooperativas – e setor privado, de modo a garantir uma comunidade mais inclusiva e humanizada.
Os cuidados terão que chamar à corresponsabilidade vários atores, além das famílias. As autarquias têm um papel fundamental na mobilização de respostas locais, integradas e capazes de apoiar quem cuida e quem precisa de cuidados. É nesta perspetiva que, no âmbito do CLDS 5G Viseu Plural: Itinerários Inclusivos, será oficialmente lançada, no próximo dia 3 de fevereiro de 2026, a Rede de Apoio a Cuidadores Informais e às Pessoas Cuidadas “Comunidade Mais Cuidadora”, uma iniciativa promovida pelo Município de Viseu e coordenada pelas Obras Sociais de Viseu. A rede visa criar uma resposta integrada, articulada e sustentável para apoiar os cuidadores informais e pessoas cuidadas do concelho de Viseu, grupos particularmente vulneráveis e essenciais para o bem-estar social local.
Estima-se que em Portugal existam cerca de um milhão de cuidadores informais, muitos dos quais enfrentam sobrecarga, isolamento e dificuldades no acesso a apoio especializado. Apenas 6617 pessoas beneficiam de subsídio de apoio a cuidadores informais, segundo os dados publicados pela Segurança Social em dezembro de 2025. O montante médio do apoio de 417,48€ caiu quase 2,00€ para 415,61€. Parece um valor irrisório, mas não é, se considerarmos que para a obtenção do subsídio, os beneficiários quase não podem ter rendimentos. Se somarmos a contínua subida do custo de vida, desde logo nos bens essenciais, como no cabaz alimentar, percebemos que cada euro conta e conta muito.
Ficámos também a saber, na semana passada, que o Governo criou o projeto-piloto da Bolsa de Cuidadores – Portaria n.º 21/2026/1, de 21 de janeiro – “que visa assegurar a continuidade dos cuidados à pessoa cuidada em situações de ausência temporária do cuidador informal”.
“A medida será desenvolvida de forma a permitir a respetiva monitorização e avaliação, designadamente no que respeita à sua adequação, eficácia, sustentabilidade e potencial para futura generalização.”
Apesar de ser uma medida experimental e de não se conhecerem os territórios selecionados, estamos perante uma boa notícia que reforça a nossa visão, estratégia e ação para a construção de um Ecossistema Local de Cuidados que responda às necessidades da díade pessoa cuidada e cuidadora.